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Turismo sexual

Terça, 18 de Setembro de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

O jovem Custódio adorava usar camisinhas coloridas, principalmente as laranjas. Achava que com isso seu instrumento ficava parecido com uma cenoura.

Isso, é claro, devido ao fato de os holandeses terem difundido no mundo as cenouras laranjas, já que antes do século XVI imperavam as cenouras vermelhas, brancas e amarelas.

Custódio não sabia de nada disso. E desta forma vibrava quando se exibia diante alguma moçoila com o pinto laranja e os pentelhos pintados de verde, como se fossem o talo do legume.

O rapaz acreditava que aquelas cores combinavam muito com sua pele - era negro. Mas, principalmente, ficava feliz porque se lembrava da velha expressão “plantar a cenoura direitinho”, muito usada na terra de seus ancestrais, o Suriname, para descrever o ato sexual.

Além disso tudo, ele sempre dava um jeito de emplacar com a parceira uma conversa sobre cenouras. Isso lhe era bastante conveniente. Quando explicava que o nome científico do alimento era “Daucus Carota”, raramente deixava de conhecer um pouco mais da garota.

Na cidade mineira de Perdões, onde morava, poucas mulheres já não haviam provado de sua cenoura, já tão ou mais famosa que o prato típico local, a caroçada (um ensopado feito de diversos caroços, principalmente o de azeitona).

A caroçada dava um vigor danado ao Custódio. E o Custódio dava uma cenoura danada a quem quisesse cenoura.

Os dois, Custódio e a caroçada, tornaram-se marcas registradas de Perdões, cidade que nos últimos anos tem registrado o turismo menos desenvolvido do país.

Custódio nunca entendeu o porquê disso. Nunca tinha experimentado sua cenoura, mas a sopa de caroço ele achava uma delícia.     

Mentex e Costela | 7 comentários