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Torcer e sofrer: irmãos gêmeosQuarta, 21 de Março de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Discutia sobre futebol com um amigo nesta semana quando me peguei a pensar: até que ponto é mais legal, do ponto de vista do torcedor durante o seu estado de espírito maior – ou seja, dentro de um boteco –, que seu time ganhe tudo sem parar. Explico: a conversa com o tricolor não teve a mínima graça. Nem para ele. Falávamos sobre o fato de o meu time, o Palmeiras, ter sido o último a ganhar do São Paulo, que está invicto há muito tempo. E que isso poderia se repetir neste ano. O Palmeiras, ainda fraquinho, pode acabar com a invencibilidade do São Paulo em 2007, o que seria muito divertido. Não é impossível, certo?Mas aí ele vinha sempre com as repetitivas respostas dos últimos anos, em que o São Paulo ganhou tudo: nós somos tricampeões do mundo, nós estamos invictos, nós ganhamos de vocês todas as últimas Libertadores e por aí vai. Argumentos mais do que válidos e verdadeiros. Mas que depois de algumas cervejas e três horas de conversa, não tinham o mínimo valor sentimental. Viraram argumentos chochos, sem graça, sem discussão. Era o mesmo que não discutir sobre futebol, não se divertir, não viver a paixão sem sentido proporcionada pelo esporte. Ou seja: ganhar tudo, não ter adversários e coisas do tipo, às vezes, é muito monótono. Como palmeirense, já passei por isso na época da famigerada Parmalat. Sei o que estou dizendo. Prova disso é o quanto as torcidas se tornam mais interessantes quando o time está mal. Vide a do Corinthians, que cresceu tanto durante os 23 anos de fila. Ou a do Flamengo, que tem um time ruim há anos e não pára de criar os melhores bordões do Brasil. Tem também da torcida do Palmeiras na série B, que lotou os estádios, inventou o Hulk e levou até a sensacional bandeirona da Nossa Senhora Aparecida para o campo. E a do Grêmio na série B também? A do Atlético ano passado? E os botafoguenses, os torcedores mais folclóricos e cheios de histórias de fé e misticismo do mundo, que vibram por um time que, na média, ganhou bem menos que os rivais? Enfim, pode parecer maluquice, mas conversar com os adversários dos são-paulinos hoje em dia é bem mais divertido do que com os grandes campeões do momento. São eles que inventam os melhores argumentos esdrúxulos, posições alternativas, hipóteses malucas, estatísticas bizarras, ofensas sem propósito e coisas desse tipo sem a menor vergonha. E do outro lado, o que vem? A mesma ladainha de somos os melhores que, no fundo (nem que for bem no fundo mesmo), já perdeu a graça até para eles. Até mesmo o velho “não tem mais graça ser campeão” já ficou....velho. Chato. Eu sei que todo são-paulino que ler isso vai dizer que é inveja, que o legal mesmo é ganhar títulos sem parar e tudo o mais. Beleza, pode até, mas no campo do imaginário futebolístico em sua intrínseca relação com as conversas de bar, ser o grande campeão nem sempre vale muita coisa. E que isso sirva de aviso para os próximos times que vão ganhar tudo por aí. Afinal, tricolores, o futebol é cíclico e logo o time do Morumbi vai cair feio. Vocês sabem que isso é verdade, não? Ou isso seria apenas mais um argumento de perdedor?
Tá lá um corpo estendido no chão por
Dr. Peçanha | balançaram as redes
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