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Toalete de Pequenas Causas

Terça, 5 de Junho de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Por que colocar no mesmo tribunal um desvio milionário de verba de uma licitação e uma prestação a mais cobrada pela loja que me vendeu o liquidificador? Por que, com um maldito IPTU atrasado na mão, enfrentar a mesma fila do banco que o boy que leva todos os recebimentos do comerciante da Padaria com um maço de notas e cheques para depositar? Por que, com uma dúzia de cervejinhas e um Ovinho de Amendoim na mão, esperar o carrinho do mês da rechonchuda matrona à frente na fila do Futurama?

Aqueles que passaram em estatística no curso de administração, engenharia – ou, que diabos, até na publicidade tem estatística! –, têm uma vaga noção do que é Teoria de Filas: uma disciplina criada para entender, prever e gerenciar filas, utilizada maquiavelicamente no número de caixas abertos nos bancos, supermercados, serviços de atenção ao consumidor e outras fontes clássicas de mal-humor, para deixar-nos calculados 15 minutos esperando para que alguém nos atenda. Desta forma, segundo a lógica do capitalismo, se garante a utilização plena da mão-de-obra, pois os atendentes não têm a oportunidade de pensar em ficar parados ou tomar um cafezinho.

Os estatísticos de plantão, diante destas circunstâncias, fizeram a lição de casa. Além de caixas rápidos em supermercados, guichês diferenciados em repartições públicas e atendimento preferencial para idosos e deficientes em bancos, os advogados também pensaram a engenharia de produção de sua matéria e inventaram o fabuloso Tribunal de Pequenas Causas, com o intuito de atender a questões mais simples e com baixo valor envolvido, as quais, em sua maioria, terminam em acordo sem intervenção magistral do sr. Juiz de pequenas causas.

O problema é que os estatísticos são muito caretas e não freqüentam botecos. Ora, volto ao polissíndeto do início do texto: Por que, com tantas atividades diferentes que tomam lugar no banheiro, o xixi tem de esperar o cocô?

Tomando emprestado a interessante solução do departamento de trânsito para promover a circulação dos automóveis evitando que os mesmos sejam abandonados por dias no mesmo meio fio, proponho humildemente a ZONA AZUL TOALÉTICA. É uma solução bastante simples, em que o garçom controla os talões – com cartões de um minuto – em função do consumo do (a) botequeiro(a). Então o sujeito (ou a sujeita) estima o tempo que vai passar no toalete e utiliza os cartões disponíveis que acompanham as cervejas, petiscos e afins. Assim, teria uma tabela de zonas toaléticas no cardápio, algo do tipo:

PINGA DA CASA: 01 cartão (equivale a um xixi masculino)
CERVEJA: 02 cartões (equivale a um xixi feminino)
SANDUÍCHE DE PERNIL: 5 cartões (equivale a um cocozinho ou um retoque de maquiagem)
CALABRESA: 10 cartões (equivalente a dois cocozinhos ou a outros usos mais criativos)

E assim segue o raciocínio para o tremoço, a xiboquinha, o rabo-de-galo, a mandioquinha, o baião de dois, o campari, a maria-mole, a batata-frita com cheddar, o ovo cozido na beterraba, o nugget do dia anterior, o steinhaeger, a tequila com pimenta e assim por diante.

Separando o joio do trigo.

O Aloísio que não é do campo é o Aloísio da Cidade | hmmm, já mijaram neste póst