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Tinky Winky, Dipsy, Laa-Laa e PoSexta, 4 de Maio de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Felicidade foi-se embora. Mas, ao que parece, só na música do Lupicínio Rodrigues. A alegria está aqui, ali, em todo lugar. Flores, sorrisos, corações e borboletas por onde quer que se olhe. Legal, não? Não.Aqui a gripe aviária nunca chegou a ser ameaça, mas a felicidade é perigo real e imediato. Todos estão expostos. Não se passa um dia sem receber um e-mail fofo com bichinhos ou bebês. Impossível andar de carro sem se deparar com adesivos como “eu amo minha esposa”. Não dá para utilizar o MSN sem dar de cara com nicks de exaltação à vida. Assim como, no Orkut, os perfis de gente que “aproveita cada dia como o último” são inevitáveis. (Não seriam, se as ameaças de sair do tosco site de relacionamentos fossem realmente cumpridas.) Não raro, tenho a impressão de que vivemos em um país de teletubbies. Se você era criança ou desempregado (meu caso) no final da década passada, deve se lembrar do programa, de como as coloridas criaturas se alegravam diante de tudo. Iam às gargalhadas com um simples “oi”. A ditadura dos teletubbies quer nos impor a felicidade a forceps. Como toda ditadura, esta também tem seu ministério da informação, responsável pelas toneladas de mensagens positivas a que somos submetidos sem parar. Com sua poderosa lobotomia, pretendem nos fazer esquecer os sentimentos negativos. Se o plano der certo, será o fim das guerras, do crime e da maioria das mazelas. O mundo vai ficar muito mais tranqüilo. E chato: como o outro papel do ministério da informação é selecionar o que consumimos, pode dizer adeus às musicas dor-de-cotovelo, aos filmes de terror, aos livros do Camus. Reduzir os sentimentos válidos à felicidade e correlatos é empobrecer demais a natureza humana. É negar o que nos tornou o que somos – para o bem e para o mal. É mexer na saturação da nossa imagem, nos deixando opacos. Preto e branco. Mas, como é assim que os teletubbies enxergam tudo, para eles pouco importa. Logo eles que são tão coloridos.
Aquela coisa toda por
Leandro Leal | 10 descendo o pau
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