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Tequila e mingau

Terça, 29 de Maio de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Virou o oitavo copo de tequila. Derrubou o nono na mesa. Lambeu a mesa.

- Não vale. Tem que virar os dez copos. Lamber a mesa não conta - reclamou o sujeito parecido com o Pedro Cardoso.

Virou o nono copo de tequila. E o décimo. Pronto, estava quase paga a aposta. Só faltava agora comer um prato de farofa sem beber água.

- Se quiser beber um pouco de água até pode, mas tem que ser água da piscina - lembrou o sósia do Pedro Cardoso, que muito provavelmente já havia mijado na Regan.

Enfiou a farofa toda de qualquer jeito na boca. Não podia nem mesmo respirar, quase sufocou. Se arrastou e tentou pegar um copo com refresco que estava em cima da mesa.

Mas o Pedro Cardoso bizarro alcançou o copo antes, negando ao amigo aquele maravilhoso suquinho de caju. Para piorar, tomou na frente dele aquele líquido precioso numa virada só, deixando escorrer um pouco pelos cantos da boca.

- Se quiser água é a da piscina.

Já meio roxo, sem outra alternativa para continuar a viver, pulou de barrigada na piscininha. Sorveu aquela água suja, que se juntou à farofa em sua boca, formando um cimento maldito. Engoliu tudo.

- E agora não pode vomitar por três horas - decretou o Cardoso alternativo.

- Vomitar por quê? Tá pensando que eu sou francesinho? Cadê a porra da garrafa de tequila?

Tomou mais cinco doses de tequila. E ainda comeu mais um prato e meio de mingau de farofa com água de piscina, diante de olhares incrédulos. A aposta era o que menos importava. Ele realmente gostava de tequila. E o mingau, no final das contas, não era tão ruim.

Mentex e Costela | 4 comentários