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TechnoratiQuarta, 4 de Junho de 2008* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor É um site que permite que você fique sabendo quais os assuntos que estão sendo falados nos blogs. Uma ferramenta de busca em posts, para simplificar.Alguns amigos e eu usamos este termo para classificar toda e qualquer atitude extremamente digital, de vanguarda online (expressão que eu adoro por soar completamente contraditória), qualquer produto mais avançado - tecnologicamente falando. Me explico: um porta-retrato digital é technorati. A mesa interativa Microsoft Surface é mega technorati. Dizer “vira o disco” não é. E eu resolvi escrever sobre o tema porque esta revolução tecnológica a todo vapor tem gerado outros tipos de relacionamento. Os instant messengers e chats, quando surgiram, já foram revolucionários. Eu cheguei a usar BBS e ouvir do meu pai que eu estava louca, não estava falando com ninguém de outro país, não. Era trote. Os chats e ICQ’s mudaram o cotidiano de muita gente. Quem não namorava na vida real, namorava nas madrugadas online. Quem namorava ou era casado, tinha amante. Quem queria arriscar uma relação diferente (homo, hetero, hemo, qualquer coisa) também era para lá que ia. Daí veio o Orkut: mais technorati ainda, porque permitiu que você começasse a bisbilhotar a vida do atual, do ex, das ex do atual, da atual dos ex, das amigas que poderiam querer que você virasse ex, e por aí vai. Uma verdadeira pentelhação. A diferença básica é que a gente acabava se sentindo relativamente mais segura em eventualmente trazer aquela relação pro mundo físico por ter um conhecimento (ainda que raso e possivelmente manipulado até uma distorção que beirasse a perfeição) sobre o que esta pessoa gostava, o que fazia, algumas fotos e seus amigos (“diga-me com quem andas...”). Eu mesma já me meti em muita roubada por conta disso. Saí com homem bem pequeno pensando ser altão, saí com outro que pensou que eu fosse peituda e se decepcionou (e eu, de novo, pensei que ele fosse altão), saí com maluco que dispensei e fiquei amiga de maluco que curti. Agora, simplificando muito mais as ferramentas – e ao mesmo tempo deixando-as incrivelmente elaboradas, tudo isso pode ficar guardado no seu bolso. O celular é a grande sacada da convergência digital. Ainda mais com 3G, Blackberry, altas-resoluções e velocidades! Ultra mega super technorati! Imagine um aparelhinho que cabe no seu bolso e que você não vai sair de casa sem (jovens japoneses têm mais probabilidade de esquecer a carteira em casa que o celular, dizem pesquisas), já que ele pode inclusive armazenar seu dinheiro. Imagine o mundo de possibilidades que você carrega em suas mãos: mudar encontros, acessar outras pessoas, navegar sozinho, ouvir música, gravar imagens, voz, postar no seu blog. O simples uso deste equipamento faz com que as pessoas mudem seus comportamentos. Muita gente hoje em dia já marca encontros sem especificar hora e local exato. É dizer “hoje à tarde no Centro”, e durante o dia vai detalhando mais, de acordo com a vontade ou a conveniência. Não sei como serão os relacionamentos. Mas é fato: estão mudando. Talvez mais rápidos, mais efêmeros, talvez mais apressados, talvez somente busquem uma experiência e nada mais. Sei menos ainda se quero participar ativamente destas mudanças, mas por via das dúvidas, gosto de me equipar. Fico com o bom e velho encontro pessoal, olho no olho, drinks, toques, cheiros, gostos, por enquanto. E guardo meu lado technorati para escapar quando é necessário, afinal, sempre pode haver algo melhor para se fazer.
devaneio de:
Sil Curiati | 2! E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!
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