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Taxi DriverDomingo, 22 de Abril de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor – Copacabana, por favor... Pronto! Foi dada a largada para mais uma corrida de táxi interminável. É só sentar no banco de trás do carro amarelo (pelo menos aqui no Rio) e você está condenado a um papo tão interessante quanto o repertório cultural dos convidados do Gilberto Barros. A coisa toda segue uma ordem cronológica. De manhã é sobre o tempo: “Rapaz, que calorão hein?! E o pior é que no final de semana sempre chove...”. De tarde é sobre o trânsito: “Faz monumento, faz metrô, faz obra e o trânsito continua engarrafado, sabe que eu peguei uma passageira que...” . E por falar em passageira, existe também a conversa padrão para a noite/madrugada: “Rapá! Peguei uma piranha outro dia, gostosa que só vendo...”. E lá se vão papos e mais papos chatos que, no mínimo, você tem que concordar – não basta só mexer a cabeça afirmativamente, tem que falar também, interagir, nem que seja um tímido “ahã”. Até entendo que não deve ser moleza ficar o dia inteiro sozinho dentro de um carro. Mas conversa de taxista é um negócio tão chato, mas tão chato que tudo o que rendeu até hoje foi uma novela do SBT e uma música da Angélica. E só. Do jeito que a classe fala pelos cotovelos, daqui a pouco quem vai dar ataque de Travis Bickle é o passageiro.
a gerência agradece,
Ricardo Dolla | 5 comentários
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