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Sobrevivência

Sexta, 16 de Maio de 2008

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Não.
Não aos prazeres carnais, quais perco a estribeira.
Não aos desejos mórbidos, lá fora, que tende o coração.
Não tem porquês. É simplesmente um não.
Às vezes dói.
Desculpa, é um não.
É um alívio imediato.
É o meu espírito livre.
Não quero fazer parte do seu álbum de figurinhas.
É simples, é não.
Não me venha com exemplos tolos, são todos iguais.
Vivo, sinto e posso dizer não.
Escute e respeite a minha verdade.
Quero, no meu não egoísmo, te oferecer o mais puro sentimento.
Fecho os olhos e contemplo seu sorriso maroto.
É isso o que eu quero: a inocência transbordando nos seus olhos.
É isso o que eu quero: seu medo relatado de ficar com você mesmo.
Não apague a luz do seu coração.
E, se por ventura eu entrar, prometo barulho não fazer.
Tenho forças pra te negar.
E durmo tranqüila.
Sua infância tardia me entrega o pedido de desculpa.
Mas no próximo sinal eu desço.
Só de pensar, não consigo lembrar o que foi diferente.
E te entrego um não.
Não vai ser do seu jeito.
E posso passar o dia a contar todos os “nãos”.



em prosa e verso por Mariana Menezes | Comentários