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Sobre Fins

Quarta, 1 de Agosto de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Existem diferentes maneiras de se pôr um ponto final nas coisas.

Há quem tenha dificuldade, e por isso, prefere não assumir a posição de agente no caso. Acompanha, obedece, responde, atende, sorri, até parece se divertir. Mas no fundo está só buscando um jeito de se esquivar, fato que, muitas vezes, é percebido pela outra parte.

Esta outra parte, por sua vez, pode ser do tipo que gosta de resoluções, e ao entender a necessidade escapista da primeira, põe os pingos nos is e resolve a situação pelos dois. Neste caso, a primeira parte muitas vezes irá disfarçar, e até tentar se convencer que o fim não era óbvio. Vai argumentar porque, no fundo, o fim só é fim quando a parte interessada o determina - no caso, a primeira. Isso significa que para que a coisa termine mesmo, a primeira parte deveria ter tomado uma atitude. Agora que ela é vítima, o fim é nebuloso e perde o caráter de ponto final para assumir o de reticências. Ainda assim, estas duas pessoas têm sorte.

Claro que não é regra, nada é. A primeira parte pode simplesmente ter gritado "Viva!" e saído saltitante.

Agora imagine se a segunda parte for como a primeira, e resolver empurrar com a barriga também. Restam no mundo duas pessoas que decidiram jogar de acordo com as regras de infelicidade, da preguiça, do comodismo. Ninguém vai, ninguém fica. Tanto faz.

E cá entre nós, relações onde alguém manda, alguém banca as decisões, alguém usa o imperativo ou determina resoluções "vou te levar", "vou fazer", "isso eu quero te dar", são ótimas. Ainda mais se as duas partes se revezam neste papel.
Sem voz ativa, as partes ficam paradas no limbo. Coisa chata mesmo.

devaneio de: Sil Curiati | 2! E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!