|
|
Home >
>
Sanduíche coreano
Sanduíche coreano
Quinta, 21 de Fevereiro de 2008
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
Véspera de feriado. No aeroporto, quatro amigas param para fazer um bocadillo antes de encarar a fila para o check in (ou check up, como disse uma delas) rumo a terras porteñas.
Sobem dois lances de escada do bar com suas malas de rodinhas e as estacionam no final do salão. Enquanto abrem seus guias e mapas para planejar o roteiro da viagem, o garçom destrambelhado joga o menu sobre a mesa e, muitos minutos depois, volta para “decorar” os pedidos.
- Por favor, traga uma capirinha de morango
- Sim, mandioquinha na moranga. É pra já!
- Não, não – gritaram as quatro garotas em vão, porque a esta altura o garçom já havia passado o pedido para a cozinha.
Santiaga, a mais velha da turma, foi atrás do garçom para corrigir o pedido, entrou na cozinha, mas não o encontrou.
Irritada, Santiaga saiu da cozinha batendo o pé e quando voltou à mesa suas amigas não estavam mais lá. Respirou fundo, pegou sua mala e, “tranqüilamente” saiu à procura das outras. Rodou o aeroporto e nada das meninas. Tentou o celular e nada. Ela começou a mudar de cor de nervoso, passou do laranja para o verde e o azul em três segundos.
- Que raios estas loucas estão fazendo, porra! – pensava alto enquanto corria entre as Asas C e D do aeroporto.
Solidário, um coreano de unhas compridas e sujas começou a correr a seu lado. Ela parou e ele parou também. Santiaga caminhou em direção à fila do check in e o coreano foi junto. Ele tentou se comunicar com ela, mas não deu muito certo. Mesmo assim, ele queria porque queria que ela aceitasse o sanduíche que ele oferecia.
A fome de Santiaga falou mais alto do que o nojo que sentiu ao ver aquelas unhas encravadas no lanche. Ela deu uma mordida e o prazer foi tanto que devorou o resto do sanduíche em poucos segundos.
De repente, sentiu seus braços formigarem. Depois foram as pernas e, rapidamente, o corpo todo estava tomado pela estranha sensação. Tudo ao seu redor rodava. O coreano a levou até a sala de espera para descansar um pouco, quando ouviu a voz de sua amiga Marlúcia no microfone procurando por ela.
- Santiaga, estamos na Asa D, no portão de embarque. Corra, porque nosso vôo já está saindo.
A moça aproveitou que o coreano estava cochilando, pegou sua mala e saiu correndo. Encontrou suas amigas no Portão e as empurrou para dentro da Sala de Embarque. Entraram no avião, deram uma última olhada para trás para se certificarem de que o coreano não estava por lá e procuraram suas poltronas.
Para surpresa de Santiaga, o coreano a estava esperando sentado na poltrona dela. Ele a agarrou pelo pulso e começou a bater em suas costas com força. Os outros passageiros tentaram ajudá-la, mas a força do tapa fez com que ela cuspisse um objeto enorme que estava entalado em sua garganta.
- Um anel de brilhantes! – sussurrou Santiaga para as amigas.
- Esconde a porra do anel na boca e fica quieta – disse Marlúcia.
Nisso, o avião, que estava taxiando pela pista, voltou ao seu ponto de origem, as portas se abriram e a polícia federal entrou para prender o coreano, famoso por aplicar o golpe do sanduíche recheado com os anéis de brilhantes roubados. Após escolher a vítima, o coreano embarca com ela para não ser pego na imigração com a carga e, chegando ao destino, ele recupera a carga provocando o vômito das vítimas.
Passado o susto, as amigas finalmente conseguiram chegar a terras porteñas tão ricas, após venderem o anel a um turco-agentino, que resolveram comprar a Casa Rosada, pintá-la de vermelho e transformaram na La Peluqueria Roja, atualmente o maior salão de beleza do mundo. Hoje, as amigas estão podres de rica e sempre são vistas na companhia de Narcisa Tamborindeguy, que sonha em fazer sociedade com as meninas e “virar milionária, porque cansou de ser pobre”.
|