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Samba Magnético

Terça, 2 de Outubro de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

O sonho de Torresminho sempre foi escrever um samba. Mas não um samba qualquer. Tinha que ser um samba para entrar para a história. Um samba magnético. Aos quarenta e poucos anos, já tinha escrito mais 200 sambas. Em todos colocou o nome de Samba Magnético.

Nenhum era bom o bastante. Faltava um pouco de, um pouco de... magnetismo. Dos mais de 200, Torresminho não se lembrava de nenhum. Nem mesmo do último, que havia sido, como todos os outros, composto no bar mais cheio de mulatas da cidade. Ele escrevia num guardanapo e sempre perdia o papel ou jogava-o fora.

Ficava sem o samba e sem as mulatas. Nenhuma delas acreditava quando ele dizia que era um grande compositor. Com aquele bigode e aquela barriga de chope, ele parecia mais um apontador de jogo do bicho. Era o que todas elas diziam. Torresminho não gostava, mas não tinha muito do que reclamar. Afinal, ele era mesmo apontador de jogo do bicho.

Mas naquela noite Torresminho teve uma inspiração celestial. Escreveu no guardanapo um samba incrível. Muito magnético. Ele pensou um pouco sobre o nome que daria à obra e decidiu que o ideal era chamá-la também de Samba Magnético.

Sem perder tempo com mais uma dose de cachaça, como normalmente faria, correu para a roda de samba, pediu um Lá maior, o que não tinha idéia do que fosse, e pôs-se a declamar seu samba.

De tão magnética, a canção de Torresminho cativou a todos os presentes. E a todas as mulatas, o que era muito melhor. Torresminho via todas as muheres o seguindo pelo bar enquanto cantava. Sentia-se como o Flautista de Hamelin, embora não soubesse nem de longe quem era esse sujeito.

Continuou cantando seu Samba Magnético enquanto saia do bar e encaminhava-se para o Hotel Pão com Lingüiça, logo em frente ao bar, onde morava. Foi seguido por pelo menos oito mulatas. No bar, a roda de samba já tinha acabado e um rapaz um tanto espirituoso tocava O Dotadão ao violão.

E a essa altura, Torresminho já se esbaldava na cama. Transou a valer, mas com apenas uma das mulatas –e por apenas dois minutos. Mesmo assim, foi o melhor sexo de sua vida.

E tudo graças a ter renomeado Feitiço da Vila, de Noel Rosa, como Samba Magnético. Para a semana seguinte, já se preparava para renomear Folhas Secas. O novo nome para o clássico de Nelson Cavaquinho já estava escolhido.

Mentex e Costela | 2 comentários