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Samba do Grande Amor

Segunda, 26 de Fevereiro de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Não são poucos os homens que no fundo no fundo quando saem para a noite carregam a esperança de encontrar um grande amor. Se você perguntar, ele vai dizer que está a caça e está louco pra comer alguém. É parcialmente verdade. Uma bimbada seria incrivelmente bem vinda, porém, para essa legião de mega-losers - e acredite, é uma legião, um verdadeiro exército – sair de mãos dadas para tomar sorvete no dia seguinte e conhecer a mãe dela é muito melhor.

Não é à toa: sexo existe, é bom e é fácil. Sim, fácil, basta manter os olhos abertos e você rapidamente enxergará aquela outra alma desesperada que misturou vodka, energético, amor sincero e tara sexual no mesmo copo. É só você brindar com o mesmo drink jamesbondiano e pronto, lá se vão os dois felizes, alegres e saltitantes para o mundo prometido do motel mais próximo, rezando para a fantasia não acabar antes do sol nascer.

Talvez por isso o homem, essa criatura demovida do seu lugar de rei da cocada preta da sociedade patriarcal (e pensar que a gente mijou em pé em tantas árvores para chegar lá), reprima o desejo de encontrar alguém legal, mas a vontade ainda está lá, latente.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas e algumas histórias acontecem. A parte bacana dessas histórias é que quando acontece o raro encontro de duas pessoas bravas o suficiente para entender isso tudo, não acontece nada especial. Nada de fogos de artifícios, nada de tempo congelado, coral de anjos, palpitações, nada disso. Apenas um simples “oi”.

- Oi, tudo bem?

Seguido de alguma coisa bem simples e clichê:

- Legal a banda, não é?

E talvez o casal troque algumas frases sobre o assunto, mas basicamente, o gargalo da relação acontece na troca de nomes:

- Como é o seu nome?

Aí o casal começa a se conhecer, identificando o que fazem, o que pensam:

- Eu faço PUC.

- Eu trabalho com vendas.

E começam a estabelecer algumas relações que não vão significar nada.

- O Júnior é justamente o primo do Augusto. E ele faz PUC com você. Deve ser do seu ano.

Isso é um claro sinal que o último dos românticos encontrou o seu par. E a conversa vai fluir livremente:

- ... Aí eu que estava do lado de fora, só ouvi o barulho do Roberto caindo de cima da mesa de sinuca!

A prova maior de que as bases do relacionamento estão acertadas é que um sempre vai rir de qualquer tentativa de piada do outro. Tudo é lindo:

- Hahahahahahaha!

E ele vai mostrar que é um cara romântico e convidar a moça para beber alguma coisa:

- Quer beber alguma coisa?

A conversa vai ser tão boa que ambos encantados, vão esquecer daquela vontade louca de arrancar toda a roupa. E vão trocar telefones no final da noite, prometendo se encontrar:

- Eu te ligo, hein?

E neste momento, nosso geek plantonista vai sair da balada confiante que todo aquele charme que ele a princípio não tinha nem dado valor será a futura mãe de seus filhos.

Solão ardido, piscina azulzinha e muito Chico Buarque no som. É no churrasco de sua turma no dia seguinte que ele vai contar todas as vantagens e descrever a mulher como sendo a oitava maravilha do mundo. Os outros 11 homens presentes vão dar parabéns para o felizardo. A maioria vai lamentar terem estado na mesma balada na noite anterior e deixado passar em branco a rainha da bateria. Mas nenhum deles vai demonstrar isso. Alguns vão tirar sarro da situação. Outros vão exigir uma prova dessa conquista.

- Tá aqui, ó – Diz o príncipe apaixonado abrindo a carteira e tirando um papel de cigarro com o nome e o telefone da prometida. Ele exibe para os outros 11.

- Como é que o nome dela?

O feliz nerd romântico pronuncia o nome de sua amada e, perplexo, observa os outros 11 buscarem em suas carteiras e no fundo dos bolsos outros papeizinhos com o mesmo nome e telefone.

Um muxoxo de decepção passa pela dúzia de homens e cada um atira o seu papelzinho na churrasqueira:

- Alguém trouxe um CD de Blues?

coisas que acontecem por aí sempre acontecem com Felipe Tazzo | Um comentário por misericórida!