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Romance, meditação e sexo tântrico

Sábado, 22 de Dezembro de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Recebi três indicações de exercícios que poderiam ajudar no meu caso: escrever um romance, meditar e fazer sexo tântrico. Todas essas práticas me assustavam e era aí que residia o segredo da coisa. Quando alguma delas, ou quem sabe as três, deixassem de ser assustadoras para mim, um grande avanço teria ocorrido. E se um dia, talvez, eu chegasse a me entusiasmar com essas idéias, provavelmente um grande mal estaria curado.

Há algum tempo essa questão vinha me intrigando. A constante busca por realizações diárias parecia que nunca teria fim. E isso estava desgastante. Tinha virado um vício inconsciente na minha vida. A cada dia eu travava uma batalha comigo mesmo de controle de humor e de ansiedade, a qual só era encerrada quando algo me realizava.

Podia ser uma bobagem qualquer, desde que me trouxesse a estimulante sensação de estar realizado. Às vezes eu nem percebia conscientemente o que havia me trazido aquele bem estar. Não racionalizava, mas ia dormir feliz, leve e tranqüilo. A comparação dos dias bons com os ruins ou banais foi o que me levou a crer que a palavra-chave era realização.

Se nada importante acontecesse a ponto de me ocupar a mente por várias horas seguidas, o dia não era bom. Por exemplo, um sábado de sol, na praia, com um livro para ler, não necessariamente se enquadraria num dia bom, na minha bizarra avaliação. Entretanto, se nesse mesmo dia eu surfasse uma onda incrível ou pegasse uma mulher interessante, a coisa mudaria completamente de figura, pois ambas as situações me ocupariam o pensamento por muito tempo. Traria realização.

Fui me intrigando cada vez mais. E racionalizando também cada vez mais o assunto. Percebi, então, que desde pequeno eu era assim. Na época de criança, eu gostava de nadar rápido. Cada milésimo de segundo que eu baixasse no tempo de uma piscina me garantia um retorno feliz para casa. Porém, foi só trocar o local de treino de uma piscina de 15 metros para outra de 50 que a coisa mudou. O tempo para alcançar a realização aumentara em 35 metros de braçadas e, assim, a natação se tornou chata.

Desde pequeno eu tinha esse vício. Era viciado em satisfações momentâneas, instantâneas ou efêmeras. E isso me mantinha vivo e feliz. Talvez por receio de encarar desafios maiores, ou comodismo, ou quem sabe ainda por não vislumbrar grandes sonhos e projetos, aquelas realizações homeopáticas me preenchiam.

Mas e quando elas não ocorriam? E será que elas aconteceriam numa quantidade de dias/ano suficiente para eu chegar ao fim da vida e dizer: “ah, valeu a pena viver”?

A falta de convicção para responder essa pergunta me deu ânimo para começar a escrever um romance. Até que estou conseguindo me concentrar nessa atividade por um tempo razoável e com um bom grau de entusiasmo; então o treino parece estar valendo a pena. Também dei início às meditações e já senti progresso ao controlar melhor a minha respiração.

Ah, sobre o sexo tântrico? Ainda não encontrei a parceira ideal para dar início às práticas. Mas estou animado e aceito indicações.

vem que é bão com a Rogéria | uma dose