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Queijo suíço

Quarta, 7 de Maio de 2008

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

É hábito do ser humano comparar. Fazer balanços anuais (meu ano foi bom, foi ruim, vou fazer diferente, vou repetir tudo), semestrais, mensais e até diários. Parece paranóia, mas é bem comum ver pessoas fazendo balanços sem sequer perceber. E o tipo mais comum é o balanço de relacionamento.

Comparar o atual com o último ex, o possível futuro com o atual, o possível futuro com um ex lá do passado. Uma coisa de louco, mesmo. Mas é assim que as pessoas chegam às conclusões sobre o que querem, e talvez ainda mais importante, o que não querem para suas vidas.

Numa destas, percebi que durante toda a minha vida cometi o mesmo erro: o de buscar pessoas que me completassem no momento, que preenchessem algum vazio que calava lá no fundo.

Por mais romântico que pareça, dizer a frase “Você me completa” é um dos maiores erros que alguém pode cometer. Fora que dá pra errar até na maneira de dizer isso.... Aqui e aqui há duas opções hollywoodianas famosas. Já aqui e aqui.... por favor, não tentem repetir em casa.

Se você busca externamente algo para te completar, cedo ou tarde acaba “aprendendo” o talento do outro que te preenche, e passa a preencher-se sozinho. Então não precisa mais do outro. E quando se “completa”, como um passe de mágica percebe que surgiu outro buraquinho que precisa ser tapado. E obviamente, por tratar-se de uma ausência de outra natureza, aquela pessoa que antes te completava já não funciona mais. Daí você sai na busca, de novo.

A solução é buscar se completar – não acredito que alguém consiga ser completo, mas vá lá – por si mesmo. Pelas realizações, pelo auto-conhecimento. E buscar pessoas que estejam ao seu lado, mas olhando na mesma direção que você (e é bom que seja para frente, para não estagnar num mundo que está girando rápido demais). Esta pessoa certamente vai te ajudar a sentir-se mais completo sem precisar ter dons e atributos que te façam falta, porque você vai se sentir estimulado a buscar tudo isso sozinho e vai perceber que é capaz.

A busca pelas peças que completam o nosso quebra-cabeça pode não ter fim, e cansar. E não é por isso que devemos deixar de dar chances a potenciais namorados (falo tudo no masculino porque sou mulherzinha e é mais fácil para mim, mas funciona para machos complexos também).

Ou fica como aquela máxima do queijo suíço, cheio de buracos. Onde tem buracos, é porque não tem queijo. E quanto maior o pedaço do queijo, mais buracos terá. Logo, quanto mais queijo, menos queijo.
Tô me sentindo meio psicóloga, hoje.

    

devaneio de: Sil Curiati | 2! E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!