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Por que não estou onde você está
Por que não estou onde você está
Quarta, 4 de Julho de 2007
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
Por que não estou onde você está.
Parei neste título de um capítulo do livro que estou lendo hoje. É o título de uma carta de justificativa. Por que eu não estou aí, do teu lado. O capítulo é lindo, é uma carta sensível e profunda. Detalhada. Mas é um livro.... muitas vezes a ficção não imita a realidade mais comum que vivemos. É normal ouvirmos das pessoas a razão de elas estarem em determinado lugar, em determinado momento, com determinada pessoa. É fácil dizer "porque amo", "porque quero", "porque me faz bem", "porque gosto". Justificar o "não" é muito mais difícil. Tanto que se ouve muito "não é você, sou eu". Mentira. É você. Somos nós. Não sou eu, porque eu ficaria em inúmeros outros lugares, com outras pessoas, esta é a verdade.
Muitos relacionamentos acabam sem esta explicação do "por que não?". E há quem diga "não importa mesmo, é não e pronto, não quero ficar tentando entender". Mas a compreensão ajuda a superação, já li isso em alguns lugares. Não sei se foi dito por psicólogos, terapeutas, psiquiatras, cientistas. Fato é que foi dito. Não acho que a explicação seja sempre necessária. Pensar a respeito e chegar à conclusão de que não vale a pena justificar ou tentar expôr seu lado já é suficiente. Sou contra o sair de cena sem mais nem menos, só.
E hoje leio no jornal que está sendo testada uma pílula a la Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Ela tem o poder de apagar exclusivamente memórias ruins da sua mente. Claro que pode ser super benéfica no caso de traumas físicos (era sobre isso a matéria), mas já vejo uso para outros fins. Jeito simples de esquecer, de não procurar explicações e de fazer as pessoas ficarem cada vez mais egoístas e preguiçosas. Uma mudança clara nos princípios em que um relacionamento saudável deveria se basear.
Eu pensei um pouco esta manhã. Das razões que me fizeram tomar certas decisões e seguir estes caminhos. Descubro facilmente que sei mais o que não quero do que o que quero. É mais fácil justificar o não estar, não querer, não fazer. Justificar pra mim mesma, não explicar a outros, que fique claro. O que tenho é porque é bom, oras. Porque é diferente do que não busco.
Não tô pessimista, não. É que acordei pensativa demais hoje e resolvi pensar com os dedos, aqui no Morfs. Se não quiser me dar "ouvidos", não dê. Mas deixe uma explicação convincente aqui embaixo.
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