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Poesia corporativa

Sexta, 6 de Abril de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Rúbio Murilão vivia em coletânea poética. Versava banalidades com facilidade, como o pão com manteiga do café da manhã, o arroz com feijão da hora do almoço e a sopa da mãe na hora da janta.

Mas gostava mesmo de versar pessoas e suas experiências. Rúbio Murilão reconhecia personagens em qualquer um que cruzasse seu caminho, trabalhando como garçom em bar, professor de inglês, ou ainda vendedor numa grande livraria.

Versando sua vida e a alheia, Rúbio Murilão conheceu e conquistou Anete. Moça charmosa e macia, dos cabelos em longas ondas, Anete tornou-se inspiração máxima a cada dia da vida do poeta.

Mas Rúbio Murilão cresceu no emprego. Virou gerente, ganhou responsabilidades. Afogados num mar de relatórios, seus poemas foram sumindo. Não sabia como versar as reuniões e as apresentações de resultados.

Nem mesmo Anete inspirava Rúbio Murilão. Queria apenas garantir uma vida confortável para sua amada. Trocou os versos pelo planejamento das contas a pagar. Anete sentiu a mudança. Viu o amor dissipar-se na vida corporativa.

E não reclamou.
Bela casa, roupas caras, carro na garagem e viagens constantes eram o mais lindo verso que Rúbio Murilão poderia produzir para ela.


Obviamente inspirado (ou copiado) da obra de Murilo Rubião.

    

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