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Pobre PaulistaSegunda, 1 de Outubro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Abram alas, lá vem o Tim Festival novamente, o evento musical mais antipático do país.Ou, pelo menos, no que se refere à parcela paulistana do festival. Se alguém conseguir me explicar como um mesmo elenco de artistas e bandas pode se apresentar em São Paulo pelo valor de R$ 400 e tocar em Curitiba dias depois por apenas R$ 60, por favor, sou todo ouvidos... Aos fatos: em 2005, a organização do festival montou um elenco bacana que incluía a cantora-sensação M.I.A., os canadenses-excelentes do Arcade Fire, os caipiras do Kings of Leon e o supra-sumo indie de nome Strokes. Se na teoria, o evento seria o sonho de consumo para qualquer fã de rock, na prática, os idealizadores deram um verdadeiro show...só que de descaso com o público. Realizado numa tal de Arena Skol, um local enorme, onde devem caber umas 15 mil pessoas (chute baixo), o espaço traz uma configuração de pista que é uma legítima pegadinha. Vejamos, após pagar caro (bem caro) por seu ingresso, você descobre que existe uma divisão entre uma gigantesca área VIP e a plebe (no caso, você). Funciona assim, o ingresso para a tal área VIP custa o dobro do valor para a pista “normal”. Logo, seria justo que quem desembolsou duas vezes mais pela entrada, curtisse mais de perto, correto? Huuum, maisoumenos, pois estamos no Brasil e a tal área VIP, como de costume, é ocupada por todo o tipo de arroz de festa. Lá estão atores globais, filhos do staff da TIM e seus colaboradores. Certamente, dá para descolar um mísero par de ingressos até para o vizinho do filho do gerente de Marketing da porcaria da operadora. (perdão pela redundância, aliás, pois que qualquer operadora é uma porcaria). Voltando a você, que pagou caro pelo ingresso, contente-se em assistir atrás de toda a corja de convidados. Não se iluda, mesmo no caso de ter utilizado uma carteirinha falsa, você pagou o preço que vale o evento, pois empresário no Brasil é uma raça que só sabe chorar, mas não perde um centavo. Em 2005, a aparelhagem montada para o show do Strokes era tão vagabunda, que o som só era nítido da famigerada área VIP. Já em 2006, pudemos ao menos dar risada com o fracasso do evento. Anunciado novamente para o lixo da Arena Skol, o festival teve uma procura baixíssima de ingressos. Mais uma vez, os gênios organizadores reuniram uma espécie de xepa do elenco que tocaria no Rio de Janeiro. Para São Paulo enviaram Thievery Corporation, o impressionante TV On The Radio, os indies do Yeah Yeah Yeahs e os robôs franceses do Daft Punk. Mas como esqueceram de incluir Patti Smith, DJ Shadow e os veteranos do Beastie Boys na etapa paulista, o resultado foi um êxodo do público local para o Rio e Curitiba, algo que esvaziou o evento e fez com que fosse transferido às pressas da Arena (15 mil pessoas) para o Tom Brasil (4 mil). E sem espaço para VIP na frente do palco, como deve ser. Este ano, os organizadores dão nova mostra de que não estão nem aí com o público paulistano e querem apenas o dinheiro. Assim como nos anos anteriores, a Arena será o palco, com sua VIP de convidados que não pagaram porra nenhuma e estão lá na frente de fãs de verdade pelo hype da coisa. Os valores discrepantes como coloquei lá em cima mostram que falta lógica e quem não conhece a Pedreira Paulo Leminski, local do show em Curitiba, deveria conhecer. Detalhe, lá se paga R$ 60 e não há área VIP, pois o povo não é trouxa. Por se tratar de uma pedreira de verdade, talvez não seja de bom tom colocar palhaços na frente dos fãs. Há sempre o risco de alguém se rebelar e jogar uma pedra na cabeça de um idiota de um filho de um gerente de Marketing da Tim ou de um atorzinho global de quinta. O que os organizadores não consideram é que no Anhembi também há pedras. Vai que alguém que foi lá para curtir Bjork, Juliette and the Licks, Arctic Monkeys, Killers, se incomode com o som de merda na pista e perceba que o povo VIP, aquele que só está lá para ver e ser visto, também não está aproveitando o show. Alguém pode se revoltar.
escrevi e saí correndo:
Fábio Inverídico | Um comentário
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