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Pela bagunça do futebolQuarta, 16 de Maio de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Outro dia estava no bar (claro) discutindo (doublé claro) sobre futebol (triple claro). Defendia a tese de que o povo leva o futebol a sério demais, que o esporte deve ser tratado com paixão, sim, mas sempre no terreno do “mundo dos jogos”, e nada mais do que isso. Claro que fui rechaçado várias vezes.Entre uma dose e outra, veio à tona o famigerado assunto dos campeonatos de pontos corridos. Eu até gosto da fórmula, vejam só, mas desde que o torneio seja feito com poucos times (uns 18, talvez), várias disputas e, sobretudo, que paralelamente a ele ocorram outras competições estilo mata-mata. Muitas outras, de preferência. Isso porque, para mim, o futebol sobreviveria caso fosse feito única e exclusivamente de torneios mata-mata, mas o contrário não. Seria chato demais. Mas como sempre vai ter aquele mala que fala que o campeonato tem que ser justo, coisa e tal, que se faça um pontos corridos de vez em quando e beleza. Mas um só. E olha lá. Afinal, alguém pode me dizer: porque futebol tem que ser justo? Tem tanta coisa na vida que tem de ser justa e não é, por que se cobra isso de um esporte? Repito, um simples esporte. Alguém pode dizer: é porque os times gastam muito dinheiro e tal, porque gera muito emprego... Balela. O dinheiro que os times gastam não importa para ninguém, só serve para cartola ficar rico. E, desde que o jogo seja emocionante, empregos continuarão existindo. O que me dizem os defensores do futebol “justo”, por exemplo, caso nunca, nunquinha, tivesse ocorrido uma decisão por pênaltis? Quer coisa mais sem justiça e... divertida. Qual amante de futebol, quando assiste a um jogo de outro time, ou outro país, nunca torceu para o empate persistir a fim de que o jogo fosse para os pênaltis? É bom, é legal, é divertido. Na mesma mesa do bar, levantara também a tese de que repórter de campo não sabe fazer pergunta. Pode até ser verdade, mas quem é que deseja saber o que o Zelão do Corinthians pensa a respeito de política? Jogador quase nem sabe falar, todo mundo sabe disso. Uma pergunta elaborada a mais e pronto: lá vem gagueira. Melhor perguntar o que ele pensa do jogo e ouvir logo que o professor pediu isso e aquilo. Faz parte do esquema. Faz parte do circo. Faz parte do que o futebol tem de ser: um jogo para divertir o povo, que tem mais com o que se preocupar e, no domingão, quer dar risada com o seu time ou inventar uma desculpa bem esfarrapada para se defender dos amigos no dia seguinte. Mais nada.
Tá lá um corpo estendido no chão por
Dr. Peçanha | balançaram as redes
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