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Out of exileSábado, 30 de Junho de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Para Crhis Cornell Que a vida é um merda não é preciso quem o diga. Todos sabem. Mas posso dizer o porque a minha o é. Cheguei a esta conclusão quando percebi que precisava dar uma resposta para todos. Para minha esposa, para meus filhos, para meus chefes, para meus credores, para meus amigos, para minha amante. Todos pediam algo, invariavelmente. As contas em dia, gravar o jogo de futsal, os relatório antes da oito, pagar com os juros, futebol terça e quinta, motel dos melhores. On demand, dizem os americanos. Então percebi que não tinha tempo para mim. Estava exilado em minha vida, sem poder vive-la. Sem poder fazer o que realmente quisesse fazer. Não que eu tivesse muitas pretensões, muito pelo contrário. Sou um homem que contempla o pouco. Não amo o pouco mas ele já me agrada, me diverte, me satisfaz. Mas nem o pouco eu passei a ter. Exilado em minha própria vida, com horários e afazeres discrimadamente pontuais e irredutíveis. Os almoços engolidos às pressas, as noites mal dormidas os finais de semanas trabalhados e minha coleção de livros ali, intacta. A minha especialização que era para logo depois ficou para muito depois. O último do Gabo que ganhei no Natal continua intacto sobre uma mesa. Quero dizer, continuava... nem sei mais onde foi parar a porra do livro. Esta é a história da minha vida: quando dou conta de algo que tinha ou precisava ela já não está mais lá. Já sumiu para muito longe, para debaixo do limbo criado pelo enraizamento profundo e fétido do cotidiano. Da normalidade. Da imbecilidade destas vitorizinhas diárias. Então começo a contar com a possibilidade de que Deus realmente existe, e não gosta de mim.
Introduzido (ui!) por
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