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Ou outro paradoxo qualquerQuinta, 31 de Maio de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Ou outro paradoxo qualquerEra um espaço estranho. Não era físico nem temporal. Era um espaço além da física ou metafísica. Um vazio vergastado pelo acaso – quiçá por deuses pagãos ou outro paradoxo qualquer. Era um vazio cego de tudo. O completo alento do nada e para lugar algum. Um vácuo pavoroso de latência e expectativas do que certamente jamais aconteceria. Um ponto morto da vida. Era um espaço que nem a culpa conseguia preencher. Era, talvez o medo. O medo não do que viria ou do que jamais se repetiria. O medo puro, em primeira pessoa, atemporal, medonho e irritantemente presente. O medo do que ali estava, seja lá o que fosse. Ninguém ousaria palpitar sobre o que não era, quanto menos especular sobre o que poderia ser. Era um estranho momento de lentidão entre a mão e o murro. Aquele momento em que todo o passado é revivido em fração com a condescendia irrisória das putas. Aquele quarto de século condensado em menos de um terço de segundo. Aquele momento entre o reluzir do raio e o estalar do trovão. Sabe-se que haverá algo, grande, grotesco e indecente. Sabe que não há o que fazer para evitar. Sabe que não há como pensar em desejar que aquilo não ocorra. Sabe que não há como afastar-se do medo lastreado entre os ossos. Sabe. Como sabe que não pode controlar mais nada. Que se tornou um passageiro daquele espaço formidavelmente irrisório e monstruoso. Estranha que embora não mais passasse a lutar contra a vida. “Não há mais porque chegar ao chão”, pensou ao passar, pelo segundo andar.
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