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Os mascarados

Quinta, 14 de Junho de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Antes de qualquer coisa, quero dizer um olá, hola!, hello e yaa a todos nesta estréia de Sem fronteiras. Agora, alguns esclarecimentos. Eu imagino que você possa se perguntar: “o que diabos uma romena faria com um guatemalteco, enquanto ela se enrabicha com um neozelandês?”. Pois é, esta é uma longa história, que me inspirou na escolha do tema desta coluna: choque cultural. 

Vamos às apresentações. Mihnea é chefe de espionagem na Romênia e estava em uma das investigações mais complicadas de sua carreira: um crime passional em Chichicastenango, na Guatemala. E agora surge outra dúvida: por que raios uma romena faria uma investigação onde Judas perdeu as botas?

Simples, porque ela era a melhor amiga da vítima, Rigoberta, uma guatemalteca, de 19 anos, metida com artesanato pesado. Rigoberta, Bertinha para os mais íntimos, era famosa por esculpir as melhores e mais incrementadas máscaras de madeira da Guatemala. Por serem melhores amigas, apesar da distância e do idioma, que complicava um pouco a comunicação, Mihnea, a seu modo, procurava alertar Rigoberta quanto aos riscos de sua atividade. A espiã tinha descoberto em uma de suas investigações que aquelas máscaras eram muito poderosas e poderiam enfeitiçar, por sete anos, qualquer pessoa que tivesse contato com elas.

Quando Mihnea soube que a amiga tinha ido pro beleléu, ela encanou com as tais máscaras “enfeitiçadas”. Rapidamente, pegou a primeira ponte aérea Bucareste-Chichicastenango pra investigar o caso. Quando chegou à cena do crime, encontrou uma máscara medonha. Estranhamente, ela sentiu uma vontade súbita de colocá-la na cara e quando tirou, estava com uma sensação estranha. Foi então que ela apagou por alguns minutos e quando se deu conta havia vários índios guatemaltecas ao seu redor. Mas teve um que chamou a sua atenção por uma característica um pouco exótica, ele não tinha a orelha esquerda. Quando se deu conta, estava perdidamente apaixonada pelo índio “monorelha”.

Será que o feitiço da máscara de madeira tinha atingido Mihnea?

Duas semanas depois começou a nascer uma terceira orelha na espiã. O índio monorelha ficou encantado e disse que eles se completavam. Então, a raptou e a levou pra sua aldeia. Sem escolha, ela aprendeu a fazer as tais máscaras de madeira. Até que um dia ela estava, numa rua próxima à aldeia, vendendo o seu produto a uns gringos.

Um neozelandês ficou encantado com uma das máscaras e a colocou na cara. Não se sabe como, Mihnea o seqüestrou e o levou pra sua oca, onde ele ficou por sete anos, sem o índio monorelha perceber. À noite, como o índio não ouvia direito, por motivos óbvios, eles aproveitavam pra realizar todas as suas fantasias sexuais. E  viveram assim por sete anos, até que um dia o feitiço acabou...
(continua)

 



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