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O vôoSegunda, 28 de Maio de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Ficava olhando da janela do nono andar lá para baixo, pensando que se afinal se jogasse poderia cair na fiação elétrica da rua. Sorriu, ao imaginar uma cena de desenho animado, com os fios esticando com o peso de seu corpo, os postes envergando devagarinho e um som de "tóim" quando os fios finalmente o arremessassem de volta pra cima. Balançou a cabeça de modo esquisito e sua mente, enfim, clareou um pouco. Na realidade, o mais provável é que cairia sobre algum carro que esperava o farol abrir na esquina. Com o impacto, todos os vidros explodiriam e poderia imaginar o susto de quem estivesse dentro ao perceber que o veículo foi atingido por um meteoro. O segundo choque de realidade o trouxe de volta de seus devaneios. Olhou para dentro do apartamento e viu que a garota ainda dormia. Gostaria de se lembrar quem era ela, como ele mesmo tinha chegado ali, entre outras coisas básicas. Apagou o cigarro, desligou o rádio e notou que a menina começava a se mexer, nos movimentos clássicos de quem vai despertar. Percebeu isso e foi tomado por um sentimento de excitação forte, em segundos, teria todas as respostas, enfim. Da hora que acordou ali, jogado no sofá, até agora, já tinham se passado longas quatro horas, tempo para que todo tipo de pensamento maluco passasse por sua cachola. Mas no momento que sua imagem tomou foco na visão da menina recém-despertada, o que ela disse já foi o suficiente: "Marcílio?!" Foi a deixa, se jogou. No rápido trajeto nove andares abaixo, viu os fios se aproximarem, esticarem, os postes envergarem, ouviu o "tóim" e já estava na metade do caminho de volta pra cima. Mas qual não foi sua surpresa ao olhar para a janela e ver que a menina estava lá e, com um sorriso no rosto, acabava de arremessar uma bigorna em sua direção. Atingido em cheio com um "bong" cheio de estrelas, seu destino original foi desviado. Caiu na parte de cima de um desses esportivos de luxo. Os vidros explodiram e o motorista, que apenas esperava o farol abrir, demorou a entender, achando que tinha sido atingido por algum meteoro.
escrevi e saí correndo:
Fábio Inverídico | Um comentário
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