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O retorno do Incrível Henrique Manuel

Sábado, 22 de Setembro de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Jamais se soube porque o Incrível Henrique Manuel havia partido. Tão inesperado como a sua partida foi a falta de informações sobre o seu paradeiro e os motivos de sua ida. A incerteza quando ao seu retorno à província era corrosiva. Província, que eu digo, é aqui no Pinheiros mesmo.

Tristeza, lamentações e choro era o que se via com a partida do Incrível Henrique Manuel. Acusações mutuas eram desferidas por todos, em todas as direções. “Você também, tinha que ter cobrado dele aquela dívida...”, “Culpa sua por tê-lo ameaçado à casar com nossa filha só porque a engravidou...”, “cuzio devia ter emprestado a machina à ele, catzo!” era o que se podia ouvir só de passar pelas ruas.

Outras discussões, mais pitorescas, também chamam a atenção além de atiçar a criatividade da vizinhança: “Você também, porque não deu pra ele como todas as outras?” “porque sou sua mulher” “grande coisa!”.

O Incrível Henrique Manuel se foi, instaurando o caos e deixando a tristeza para todos e um cão fila empalhado no bar do Seu Hashimoto. Alguns juram, que o semblante do animal denunciava que ele – safado - sempre soube que o seu dono retornaria, mas nada foi provado.

Muito tempo passou. Ninguém mais, nem mesmo o fila empalhado, acreditava no retorno do Incrível Henrique Manuel. Já haviam abandonado a idéia de revê-lo. De poder conviver com ele. E, apesar dos oito suicídios em agosto de 88 - atribuídos ao sumiço do grande avatar bairristico - , a população havia se conscientizado de que até poderiam conseguir viver sem ele.

Porém, agora, tantos anos depois, numa manhã de setembro, o Incrível Henrique Manuel retorna à província. E ninguém o reconhece.



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