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O pulo do galo

Quinta, 9 de Agosto de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Recém contratada no açougue do Xiriba, a guatemalteca Rigoberta estava custando pra aprender todos os tipos de cortes das carnes brasileiras, já que no seu país ela estava acostumada a comer carne de galo, o famoso ‘gallo en chicha’ (galo na cachaça).

Enquanto cortava uma peça de maminha ao som de “Bobeou a gente Pimba”, que tocava num velho radinho de pilha apoiado sobre um pedaço de coxão mole, eis que surge um sujeito estranho com um cachimbo na boca.

Chicharrones, um paraguaio de uns 70 anos, ganhou este apelido por causa da sua mania bizarra de ficar sentado na calçada gritando “Hola chicharrones” a todo mundo que passava na rua (em espanhol chicharrones significa torresmos)

- Hola chicharrones, disse o velho paraguaio a Rigoberta

- Que milagre o senhor por aqui

- Vim lhe trazer este humilde presente

- Que cachimbo mais lindo!

- Fui eu mesmo que fiz

- Peraí que eu também vou te dar um presente, velho

- Um pedaço de galo?

- Fica muito bom com chicha

- Mas eu odeio o galo, aqui no Brasil torço pro ‘Fogão’

- Não entendi

- Botafogo, minha filha, você vem me falar de galo, galo. Odeio o Atlético Mineiro.

- Não estou entendendo nada, seu Chicha

- Chicha? Agora tá me chamando de cachaceiro? Vou embora dessa espelunca.

- Calma, senhor

- Calma nada, panamenha

- Sou guatemalteca!!! E o senhor que é paraguaio?

Rapidamente, o velho Chicharrones tomou da mão de Rigoberta o cachimbo que havia lhe dado de presente, sentou na calçada e continuou com o seu “Hola chicharrones” para todo mundo que passava por ali.

Ainda boquiaberta com aquela cena, a jovem continuou cortando a maminha, agora, ao som de ‘Panela velha é a que faz comida boa’.



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