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O Nauta e o ET - IIQuarta, 10 de Outubro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Tremia debaixo das cobertas, suando frio e sob pânico intenso. Não era sempre que um objeto incandescente atravessava as nuvens alaranjadas em direção ao solo e sucumbia bem no meio do jardim de sua casa. Pensou em chamar a polícia, mas ninguém jamais acreditaria numa fábula dessas. Muniu-se de lanterna e, se escondendo entre as cortinas da janela, observou um pequeno ser verde e cabeçudo empurrando o tal objeto voador não identificado (que por sinal havia feito uso de grandes pára-quedas para amortecer a queda) para trás de um arbusto.Mais uma vez tremeu de medo e, por descuido, percebeu que havia sido flagrado pelo alienígena visitante. Apagou a lanterna rapidamente e, ao fundo, pode ouvir o lixeiro passando pela rua e causando tumulto entre os caninos da região. Talvez agora estivesse a salvo. Ou talvez não. Cobriu-se com os lençóis e esperou pelo pior: a guerra dos mundos, a invasão de marte, o fim dos tempos. Assim real, como o cinema jamais havia mostrado. Um breve espaço de tempo. Silêncio. “Toc-toc” _Ah meu deus! O alien está batendo no vidro da minha janela! Chegou meu fim, esta é a minha hora! “Toc-toc, Poc-Poc, Top-top” Um som esganiçado e rouco vinha do lado de fora do parapeito e parecia-se com o ronronar de um felino misturado ao canto de uma baleia: _Grwindalleff Waullubbah Babbauu! O rapaz não pensou em nada, sentiu o coração na boca e, na tentativa frustrada de um berro, murmurou quase sem voz: _Não me mate! Depois de alguns segundos, vinha a resposta por trás do vidro: _ Mil desculpas, terráqueo, me esqueci de ajustar o audiovoicer de meu traje espacial, mas agora posso me comunicar em sua língua. Claro que não o matarei. _ Você veio para dizimar o planeta, acabar com a raça humana, dominar a galáxia? – Perguntou o pálido e assustado garoto. _ O quê? Não, não, claro que não! Eu adoraria fazer tudo isso, mas minha missão hoje é outra. Será que, por obséquio, poderia eu usar seu telefone? O rapaz, pensou duas, três, nove vezes. Poderia oferecer ajuda a um estranho de outro mundo e ser devorado ou desintegrado, mas também poderia esta ser a chance de sentir fortes emoções em sua pacata vida e conhecer um pouco mais do que há além do céu da Terra. Dúvidas, muitas dúvidas. Tremia muito, mas decidiu enfrentar seu medo e abriu a janela, sem conseguir olhar diretamente para o ser. _ Boa noite, terráqueo, Sou Ewerance Tatooine. Meus amigos me chamam de ET. Onde está o aparelho de telecomunicações? _ Bom, é um prazer conhece-lo. Meus amigos me chamam de Nauta. Serve este telefone aqui? _ Claro, claro, Nauta, serve sim; Muito obrigado. O garoto foi criando coragem aos poucos e já fitava o pequeno e esverdeado cabeçudo com curiosidade e asco. O medo dava lugar à curiosidade. Por mais alucinante que aquela aventura se mostrava, sabia que a partir daquele momento, nada mais seria igual. _ É, só para saber; ET, hehe (risada sem graça), a ligação é interurbana? A cobrar talvez? _ Bom, caro amigo sapiens, digamos que esta ligação está além de qualquer cobrança. A propósito, adorei seu pijama de dálmatas. Assim começa uma verdadeira amizade intergaláctica. O ET e o Nauta, unidos pelo destino cósmico e prontos para terem suas vidas mudadas para sempre.
Canalizado em PVC por
Ivan Volpe | um já regressou
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