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O marketing político chegou ao extremo

Terça, 3 de Abril de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Muitos artistas em decadência já mudaram seu próprio nome para tentar dar uma levantada na carreira. Foi assim com a Sandra Sá, que virou Sandra de Sá, e com Jorge Ben, que passou a chamar Jorge Ben Jor, apenas para citar dois exemplos. A alegação de ambos foi a numerologia. A estratégia até que funcionou por um tempo, mais pelo fato bizarro do que por uma mudança real na carreira e nas suas músicas.
Anos depois dessa moda entre os artistas, agora são os partidos políticos, que há muito têm suas imagens desgastadas, que decidiram utilizar a mesma estratégia. Só que a mudança foi muito mais radical. O PFL deu lugar ao DEM. Desde quando DEM é nome de partido político? Os velhos oligarcas do PFL não querem nem mesmo usar a letra P, presente na sigla de todos os partidos. Se cogitou usar PD, mas segundo a velharia do PFL isso poderia soar como Pederasta e a sigla foi rapidamente descartada.
Agora, o mais bizarro é o significado da sigla DEM, de Democratas. Como alguém pode ser tão cara-de-pau assim? O PFL surgiu do antigo PDS, que por sua vez veio da ARENA, que era aliada dos militares e da ditadura. E agora eles se autodenominam Democratas? Como pode ser verdade uma porra dessas?
Dessa vez a culpa não é da imprensa. A culpa é dos publicitários. Essa é a única explicação. Se você não consegue limpar seu nome, troque-o. É isso o que o PFL está fazendo.
Quem adotou a mesma estratégia foi o PL. Depois do escândalo do mensalão, o partido se fundiu com o PRONA, aquele do Enéas, e surgiu o PR, o Partido da República, e não Putinha Relaxada. Se bem que o segundo nome não seria nada mal.
Já podemos até pensar que estamos nos Estados Unidos, vendo debates entre os republicanos e os democratas. O problema é que, aqui, os dois são da mesma laia.
Se a moda pega pra valer, como se chamarão os “novos” PT e PSDB?


Entre um trago e um gole Vini Casagrande | 3 beberrões