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O destino bate à portaSegunda, 9 de Abril de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor O destino é o melhor amigo do fracassado. É o ombro amigo, o colo quentinho, é a razão das nossas desgraças, é onde nossas maiores culpas são aliviadas. Afinal, se tudo está dando tão errado, obviamente, a culpa é do destino e ponto final. E ele assume as culpas sem pestanejar.Existem outros nomes, claro, dependendo de como você vê o mundo. Você é espiritualista? Pode chamar de energias. Budista? Chame de karma. Cético? Chame de movimentos do subconsciente. Petista? Chame de conspiração de porcos capitalistas. No fundo, assim como na religião, são nomes diferentes que a gente distribui grosseiramente para a nossa incapacidade de lidar com um simples fato: ser loser é um talento. É uma inspiração. É vocacional. No meu aniversário, semanas atrás, eu exercitei essa vocação. E em grande estilo. Algumas coisas fazem o aniversário se divertido: as piadas dos grandes amigos. Os parentes distantes darem sinal de vida. As infindáveis promessas de vamos-tomar-um-choppinho-qualquer-dia. As pessoas queridas mais próximas. Uma única coisa no entanto faz o aniversário realmente valer a pena: é aquela desculpa perfeita para o caso mal resolvido de anos atrás te ligar. É legal porque em geral a coisa toda não terminou muito claramente e você ainda tem alguma esperança de se dar bem, mas como vocês se afastaram, telefones mudaram e você não sabe se ela já se arranjou na vida, ninguém liga para ninguém. Porém, no aniversario... - Oi, Fê, que saudade!! Tudo bem? Parabéns! Muitas felicidades! Ah, aquela voz levemente rouca de mulher fatal. Aquela voz de cantora de blues. Aquela voz das segundas, terceiras e quartas intenções! - Oi, obrigado, que bom ouvir de você. Obrigado por lembrar! - Imagina, é claro que eu lembraria. Olha, eu espero que você conquiste aqueles seus sonhos todos, que as coisas dêem certo mesmo na sua vida. - Puxa, muito obrigado, você sempre foi uma pessoa positiva e eu acho isso lindo. - Ah, você me conhece muito bem, né? - Bem, um pouco, eu acho. - Ah, claro que conhece. Você realmente sabia me ouvir e me entendia. Nunca me esqueci disso. Por isso que eu não posso sequer pensar em esquecer do seu aniversário. - É, nós tivemos bons momentos. - Tivemos sim. E poderemos ter muitos mais. - Podemos mesmo?! - Claro que sim. Me liga no final de semana, a gente se encontra. - Claro. Ligo sim, vai ser um prazer. - Bem, felicidades mais uma vez, manda um beijão para a velha turma. - Mando. - Um super beijo pra você. - Outro. Mais uma vez, obrigado por ligar. - Imagina. Te vejo no final de semana. Desliguei o telefone com a promessa de um final de semana selvagem e sem fazer a menor idéia de quem havia ligado.
coisas que acontecem por aí sempre acontecem com
Felipe Tazzo | Misericordiosamente comentado por 3 sublimes almas
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