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No táxi
No táxi
Quinta, 1 de Novembro de 2007
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
Finlandês: - Toca pra Copa, senhor.
Taxista: - Sure, sr. É a sua primeira vez no Brasil?
F: - Não. Eu já conheço São Paulo, mas é a primeira vez que venho para o Rio.
T: - Você conheceu Osasco?
F: - Não. O que tem de bom pra fazer lá?
T: - Não sei. É que quando era caminhoneiro eu parava muito pra descansar, lá.
F: - Compreendo.
T: - De onde o senhor é?
F: - Sou da Finlândia, terra do Raikkonen.
T: - Sei bem. Conheço aquele beberrão. Outro dia fui buscá-lo na Lapa. Ele mal conseguia ficar em pé e estava muito bem acompanhado por duas morenas bem charmosas.
F: - Ai, ai, as morenas charmosas. Sou louco por elas. Também me apaixonei por uma morena. Acabei de tirar uma foto dela, olha aqui.
T: - É memo. Ela é beeeeemm charmosa.
F: - E olha que o senhor nem viu o gingado da moça.
T: - Sou especialista em gingados.
F: - Pra que time o senhor torce?
T: - Sou Vasco, mas não discuto política, religião e muito menos futebol. Só preciso dizer que o Romário é o melhor do mundo e não tem pra ninguém. Acho que podiam ‘botar fogo’ em Brasília e a minha religião é ... Look, look, o senhor tá vendo aquele cara com snorkel ali no calçadão?
F: - Tô? É o Romário?
T: - Haa Haa Haa, claro que não.
F: - Então?
T: - É um dos moradores do mundo subterrâneo aqui do Rio. Ele sempre tá andando por aí, mas mora embaixo da terra.
F: - Como assim? É um morto-vivo?
T: - Nem sei o que é isso, senhor. É que aqui embaixo deste calçadão existe um outro mundo.
F: - Como assim?
T: - Eles vão à caça durante o dia e se escondem lá à noite.
F: - É mesmo?
T: - É. Durante o dia eles vão em busca de artigos de primeira necessidade: máquinas fotográficas, relógios, filmadoras e à noite fazem uso deste material lá embaixo.
F: - Vixe, nem quero saber que tipo de uso eles fazem deste material. Mas porque usam o snorkel?
T: - Para respirar melhor, já que as suas traquéias vão se atrofiando com o tempo.
F: - Entendi.
(Toca o celular do taxista: Cabeção toca corneta/ Cabeção toca sem parar/ Fazendo você dançar/ E se concentra cabeção - PS: o toque do celular é um trecho da música Cabeção, de Deise Tigrona)
T: - Só um minutinho, a patroa me chama.
F - Sure!
T: - Ah, não vou na festa de 92 anos da sua tia-avó, vou trabalhar até tarde hoje. Vai com as crianças e pega um táxi pra voltar.
T: - Pronto, já despitei a patroa. Em vez de ir pra Copacabana, o senhor não quer curtir um samba lá na quadra da Caprichosos?
F: - Caprichosos de Pilares?
T: - Yes. O que não faltam lá são mulheres bem charmosas.
F: - E caprichosas?
T: - Demais.
F: - Adoro um Capricho rapaz, toca pra Caprichosos.
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