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No início não havia nada
No início não havia nada
Quarta, 25 de Abril de 2007
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
No início não havia nada... Agora, tente imaginar este “nada” e, ainda ao meio do escuro infinito, será possível distinguir alguma poeira entre resquícios de imagem ou ruído. Mas do nada, uma flatulência divina nos traz a dádiva de uma explosão que não teve origem, não teve começo, pois bem ali havia somente o nada. E da explosão nasce o tudo, em meio ao vácuo expansível do universo; E nós, humanos, que sempre gostamos de definir um centro a tudo, demos início à criatividade: impusemos o centro da cidade, o centro do comércio, o centro do tráfico e assim, nos levamos ao centro das atenções... E o próprio centro do universo foi nomeado diversas vezes por nós. O próprio Teocentrismo, que nos coloca inferiores a deus na cadeia hierárquica do universo, nos colocou no direito de escolher democraticamente quem seria o patrão da história. E acredito que estamos nos voltando ao antropocentrismo, cada vez mais trazendo o homem ao centro de tudo, ao centro dos livros de auto-ajuda, das terapias alternativas, da mente e da física quântica. Estamos nos olhando em retrocesso e nos colocando como porções de uma força maior e criadora, nos retornando o direito de olhar para dentro e dominar a própria realidade. E um salto tão grande em tempo de revolta e destruição pode significar duas coisas: a virada para o sucesso da raça humana ou sua aniquilação parcial, liberando a natureza de começar novamente a escrever suas linhas. Conhecemos as lendas de outras civilizações que chegaram a este momento histórico e, de uma forma ou de outra, abandonaram esta existência. Maias, Egípcios, Atlântida e Lemúria, todos deixaram esta existência e os recados foram dados. E nós humanos modernos? O que faremos frente esta mudança que já vem sendo vivida em nossa carne? Como lidar com as afrontas naturais, reflexos de eras de abuso e inconsciência, enquanto a chance nos é trazida à tona, segundo as leis da atração, por nossa própria vontade? Somos o nosso próprio centro e este necessita a libertação imediata, a consciência absoluta e pessoal. E enquanto o planeta grita e os corpos caem, a missa ainda é ouvida e o tudo é quase nada para quem se vai.
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