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Nauta e o ET VIQuarta, 16 de Janeiro de 2008* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Nauta ainda estava em transe após o sonho real que tivera ainda há pouco. Pegou sua possante motoca, herdada de seu tio hell-angel, Raimundo Carlos, que ainda se encontrava vivo, mas com Alzheimer, e procurou alguma coisa que servisse como capacete em ET.Nada serviu. _ Deixa, eu pego o meu lá na nave... – Disse ET eufórico. E saíram pela garagem fazendo fumaça e barulho. Era uma Honda CB400 branca e azul, roncava como nenhuma outra e aguentava o tranco de transportar um terráqueo e um alienígena ao seu destino: o boliche. _ Vamos, vamos, homem da Terra, isso é o máximo que esta coisa desconfortável pode correr? Não vejo a hora de chegar ao boliche, “enrola o cabo aê, mano!” (De alguma forma ET assimilava expressões e gírias humanas com muita facilidade, extraindo-as do consciente coletivo). Atravessaram alguns quarteirões e logo chegaram ao prédio baixo e iluminado onde o neon anunciava: Star Bowling. ET saiu correndo, gritando como uma criança e desapareceu entre as luzes da recepção. Nauta seguiu logo atrás. Ao entrar e fazer as comandas de consumo, Nauta encontrou um ET boquiaberto, com os olhos arregalados de decepção: _ Então “isto” é o tão falado boliche?! – ET fica arrasado ao ver que a diversão esperada há tanto tempo era uma simples brincadeira de derrubar uns pinos com uma bola pesada – Não acredito que você me deixou vir até esta espelunca para derrubar uns pinos! Vamos embora. _ Nada disso, vim até aqui, a essa hora, depois de uma experiência maluca e agora nós VAMOS JOGAR! _ Por favor não me diga que terei que colocar aqueles sapatos ridículos iguais aos que estão nos pés daquela garota... Mas que garota, hein?! Ah... agora entendi... Talvez este tal boliche não seja de todo mal. _ Aquela é a Tina, meu deus, vamos embora antes que ela nos veja, ET! _ Olá, Nautinha, tudo jóia? – Voz doce feminina. _ Tarde demais – pensou Nauta em voz alta já cumprimentando com um beijo o rosto da moça. – Olá, Tina, beleza? – Nauta tentava expressar tranquilidade. Intrometendo-se na conversa, ET salta entre os dois: _ Tina, que prazer enorme conhecer uma terráquea! Ainda mais uma tão bem-feita, cheia de curvas... _ Quem é o baixinho? – Perguntou Tina curiosa diante a tamanha estranheza do ser galáctico. _ Baixinho? Você não tem idéia de como posso te enlouquecer com este tão bem formado um metro e vinte centímetros! – ET agarrou de súbito a mão da garota, que começou a ter espasmos musculares. Seus cabelos vermelhos pareciam esticar-se sobre a cabeça e os olhos da garota começaram a girar fazendo surgir um sorriso desleixado. _ Pelamor de deus, vamos embora agora! Já vi que foi um erro enorme trazer um alienígena a um local público. – Nauta agarrou ET, que fazia uma careta sacana e sorridente, enquanto era afastado da garota à força. Nauta devolveu as comandas e, em alta velocidade, deixou o local com ET na garupa da moto. _ Me liga! – Gritava Tina, ainda meio tonta, tentando acompanhar a fuga dos dois. Chegando na casa de Nauta... _ ET, poxa vida, aquela é a garota que eu mais desejo, a mais gostosa, a mais... _ Por que não me disse antes, Nautinha? Eu podia usar alguns efeitos químicos para você se dar bem. _ E deu tempo? Você é muito agitado, sai correndo... causou no boliche... Poxa isso tem que mudar ou eu não vou te levar para sair até seu resgate chegar. _ Ok, ok, você tem razão. Mil desculpas. Mas esse tal boliche é uma farsa, hein?! Fora as garotas, o resto é muito chato! Vamos combinar assim: Você vai me explicar tudo o que puder sobre os humanos, eu farei perguntas e, ao mesmo tempo, te ensinarei o que puder sobre o universo. Ah, e você também pode me fazer perguntas. Assim, nenhum de nós dará vexame em contatos sociais de mundos diferentes. Combinado? _ Perfeito, combinado. – Concordou Nauta _ E, agora... Mostre-me esse tal futebol. _ Ah, ainda bem que terei tempo de ensinar algumas “regrinhas” de como agir em público antes dos campeonatos recomeçarem. _ É, mas eles vão recomeçar... a vão... um dia eles vão recomeçar.
Canalizado em PVC por
Ivan Volpe | Fale bem, mal... Fale alguma coisa
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