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Nascimento

Terça, 3 de Julho de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Sorrateiro ele surge, sem no entanto aparecer ainda: fabricado.

Cresce, se desenvolve, ainda sem mostrar sua feição ao mundo.

De dentro ele começa a dar sinais de vida, a barriga cresce devagar, pulsa, arrítmica.

Mais um tempo e começa a se mexer, o corpo percebe que tem um ser vivente, inquieto.

Aos poucos constitui-se, bravamente, dentro de nossas próprias entranhas (sub)humanas.

Alimenta-se daquela comidinha da vó, daquele bolo de nozes, de suco de mexerica, de sorvete de pistache com farofa crocante, talvez uma nutella, latas inteiras de pringle’s pimenta, cheesecake de framboesa... Tudo isso para crescer forte.

Maduro, obriga a barriga a tantos movimentos peristálticos – seja o que isso for –, arranca gemidos e grunhidos, faz suar, irrita sem querer, estrangula a paciência.

Exige força, concentração, ritmo.

Dor.

Destaca-se do corpo, finalmente!

E eis que mais um sofrido, belo, saudável, grande cocô vai-se embora pelo vaso.



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