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Não há Cristo Redentor que agüente

Sexta, 13 de Julho de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Celebridades, enormes aglutinações de gente, grandiosidade e estupidez. Como na frase anterior, algumas das coisas que mais repudio estavam reunidas no evento ocorrido no último sábado em Lisboa. A divulgação do resultado da eleição das "Novas Sete Maravilhas do Mundo" mobilizou todas as atenções na capital portuguesa nos últimos dias.

Não que todos se interessassem por isso. Era mais porque não dava para ligar a televisão ou ler o jornal sem se deparar com algum comercial ou matéria referente ao acontecimento. Até um simples passeio pela rua tornava-se arriscado para quem pretendia evitar essa chatice: a qualquer momento você podia dar de cara com um horrendo painel publicitário relacionando algum produto a essa cretina votação. (Onde está o Kassab num hora dessas?) Até a falta de assunto era ameaçadora, já que as maravilhas tomaram o lugar da previsão do tempo e do trânsito como preenchedora do silêncio.

Ainda na Colônia, tinha tomado conhecimento dessa cretinice, também bastante divulgada lá por que tínhamos ("tínhamos"?) um representante entre os concorrentes - o Crishto Redentorrr -, mas fiz o possível para saber o mínimo sobre o assunto. Ato falho. Como dizem as campanhas de prevenção da AIDS e do câncer, a informação é sempre o melhor remédio. Soubesse eu que a divulgação ocorreria em Portugal, teria adiado minha viagem ao País até que o assunto já o tivesse descontaminado. Ao invés disso, cheguei a Terrinha bem na semana do "grande momento". Todos estavam ansiosíssimos, apesar de eu não ter notado olheiras causadas por noites de sono perdidas em ninguém que cruzei. Todos queriam estar lá quando fossem abertos os envelopes, mas estranhamente os caríssimos ingressos estavam encalhados e a organização teve de fazer promoções para diminuir o preju.

A maré de sorte que atravesso confirmou-se quando a Carol, mulher do Fábio, disse ter arranjado convites para a grande noite. Mas, antes que eu pudesse dizer que, infelizmente, tinha esquecido o smoking em casa e não poderia comparecer a um evento de gala como aquele sem um, meus amigos disseram que também não estavam a fim de ir. O pouco que vi na tv confirmou minhas expectativas de que, perdoe-me o trocadilho, não seria nenhuma maravilha. Ao dormir, agradeci a Deus por ter me poupado. Mas notei que ele ficou meio chateado por eu não ter ido prestigiar seu filho.



PS: Além deste, outros textos mais ou menos podem ser lidos no meu novo blog, Anotações Mentais. Dá uma olhada: www.anotacoesmentais.blogspot.com



Aquela coisa toda por Leandro Leal | Tá esperando o que pra descer o pau?