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Mulher objeto... de estudo.Sábado, 15 de Setembro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Foi um pensamento estranho que ocorreu. Porém, após uma breve reflexão, começou a considerar que aquilo talvez não fosse um delírio absurdo. Ao contrário, ao analisar melhor, verificou que era exatamente isso que ele estava fazendo há um bom tempo.A relação conjugal passou a ter sentido graças a esse bizarro pretexto que havia encontrado: a mulher tinha se tornado o seu objeto de estudo. Apesar de meio maluca, essa sem dúvida era uma explicação plausível para continuar ao lado dela. Por mais anormal que isso pudesse parecer, a análise comportamental da companheira o seduzia imensamente. Até mesmo as obrigações de pai e o desejo que tinha de estar junto dos filhos, debaixo do mesmo teto, encontravam-se em segundo plano. Ao menos naquele instante, ele conseguiu encontrar uma resposta sincera pela própria teimosia de não separar os laços matrimoniais. Ficar ao lado da esposa, para não perder o artefato de estudo, era uma resposta estritamente egoísta para o seu casamento. E, provavelmente por isso, lhe parecia mais honesta. Para ele, resolver os próprios problemas, lidar com as próprias dúvidas e aceitar os seus conflitos internos eram atitudes muito difíceis. Quem sabe até impossíveis. “Sou um fraco”, pensou nesse momento. Mas logo esqueceu a autocrítica, porque o importante agora era entender como funcionava o mecanismo catártico da sua relação. As dificuldades diárias e os conflitos da mulher eram muito semelhantes aos dele. Ou, pelo menos, ele acreditava nisso. E observar como ela lidava com essas situações lhe ajudava no seu processo de auto-conhecimento. A projeção permitia aceitar os próprios erros e limitações, assim como buscar caminhos de conciliação e de cumplicidade. Essa reflexão lhe induziu a lembrar de cenas do dia-a-dia. Havia momentos em que provocava a mulher a entrar em situações que ele mesmo não saberia como agir, caso estivesse do outro lado. Provavelmente, fazia isso para conhecer uma referência de como se portar caso aquilo fosse feito com ele. E não era uma referência qualquer. Estava avaliando a postura de alguém que ele admirava demais: a sua mulher e mãe dos seus filhos. Já estava nítido para ele que essa manipulação psicológica vinha sendo feita de forma corriqueira. Entretanto, acreditou que todo esse jogo que fazia, mesmo que de maneira inconsciente, não era correto. Estava sendo muito injusto com a esposa. Só que ser justo, ou não, era um problema exclusivo dele. E isso era muito difícil de resolver. Quem sabe, até impossível. |