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Motivos para voltar pro boteco
Motivos para voltar pro boteco
Sexta, 22 de Junho de 2007
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
Voltei pro boteco. E, para não dizer que foi por qualquer motivo, aí vão as explicações:
Primeiro, sou remunerado para falar de boteco aqui no Morfina. Não fazia nenhum sentido repassar a palavra do missionário RR Soares no lugar de filosofar no balcão do bar do Silval. Por esse motivo, nem consegui escrever o texto anterior, o que me rendeu mais uma ameaça de demissão diretamente do celular de Vanessa Marques (a editora-carrasca deste site).
Segundo motivo: passei meu sétimo Dia dos Namorados sozinho. Tive que enfrentar a noite inteira aquela sensação que só acontece uma vez por ano: “Eu poderia ter uma namorada”. E nada como beber uma garrafa de Fogo Paulista no balcão para rebater este pensamento do mal.
Mais um: o único lugar em que alguém me ouve é no boteco. Por mais que eu tente, as pessoas em geral têm uma dificuldade enorme de me entender. Principalmente, depois da tal garrafa de Fogo Paulista. O Sinval, o seu Zé, a dona Fátima, o Mário, meus donos de bar e garçons prediletos, entendem.
E, por último: no boteco, eu vejo gente bonita, saudável, de bem com a vida. Aprecio uma peleja de sinuca, vejo os amigos se confraternizando, bebo Brahmas em copos límpidos e me delicio com especialidades da cozinha alternativa. Ok, tudo isso é mentira, mas eu juro que precisava de mais um motivo.
Agora, quando alguém quiser me encontrar, é só atravessar a rua na frente de casa: com certeza, estarei lá. Mas como ninguém mesmo vai querer me encontrar, nem preciso dar o endereço.
Nossa! Nem eu estou mais agüentando essa carência...
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