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Morreu DercySegunda, 26 de Março de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Não, a rainha-mãe dos palavrões gratuitos da televisão brasileira não morreu. Essa é só uma chamada vendedora para atrair sua atenção até esse texto (se você se sentiu lesado, por favor, não continue). Bom, se bem que até o dia que isso aqui for para o ar pode ser que tenha acontecido o fato. Tomara. É incrível o poder que essa velha tem de enganar o “Zé-Maria”. Aliás, ninguém gosta de falar sobre o “ceifador de almas”. Eu acho esse assunto mais normal que final feliz na novela da Globo. Tenho dentro de mim uma grande certeza de que quando você morre fica tudo preto - se você já desmaiou sabe do que eu estou falando. Mas, mesmo simplificando a morte, eu não me sinto feliz. Na verdade, se realmente “fica tudo preto”, é sem dúvida uma grande sacanagem com quem partilha da minha opinião. Entenda onde quero chegar, por favor. Se você foi fiel seguidor de uma religião, e certamente você atazanou minha vida porque eu não seguia o seu dogma, num determinado momento uma velhinha te empurra nos trilhos do Metrô (malditas velhinhas!), você cai, é eletrocutado e pá... “fica tudo preto”. A injustiça está feita. No mínino, deveriam existir cinco minutos de consciência. Nesses cinco minutos apareceria um apresentador, no caso gosto de pensar no Jack Palance (ninguém nesse mundo, e talvez no outro, tem mais credibilidade que ele), falando como você tinha dado mole em vida, ido à missa aos domingos e perdido as videocassetadas, ter comido hóstia sem beber nem um gole de vinho, ter decorado rezas com construções literárias sem sentido, dentre outras coisas. Aí sim, depois disso tudo, o Jack Palance sai de cena e... “fica tudo preto”. A justiça estaria feita. Só acho que, quando chegasse a vez da Dercy Gonçalves, o Jack Palance ouviria poucas e boas, isso sim!
a gerência agradece,
Ricardo Dolla | 11 comentários
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