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Mistério paulistanoSegunda, 29 de Outubro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Não sei se isso se repete Brasil ou mundo afora, mas como minha pauta é São Paulo, falo das coisas que vejo por aqui: Se eu estiver afastado míseros dois metros do ponto, o motorista de ônibus não pára para mim, porém se a gostosa (e às vezes nem precisa tanto, muitaz vezes basta ser mulher e ter menos de 50 anos) der sinal em qualquer ponto do caminho do cara, ele só falta dar cavalo de pau com aquela merda, pra colocar a sorridente e agradecida criatura para dentro. E não vale me dizerem que o cara tá certo, depende da gostosa, que estou com inveja, que meu comentário é aviadado, que se eu estivesse no lugar do cara, eu também faria aquilo. Porra, ou o cara está trabalhando (e deve usar o mesmo tratamento para mim, pra você, pra gostosa, pro caraio) ou tá de palhaçada, sendo cavalheiro com seu carango imponente. Certa vez, quem "me vingou" foi um idoso, gente que deve sofrer muito mais do que eu com nossos amigos os motoristas metidos a malandrões. A cena clássica: a dondoca dá sinal no farol, bem longe do ponto, claro, e o garanhão motorizado encosta o ônibus o mais próximo que pode do meio fio, para que sua conquista possa entrar sossegadamente. O que nosso Don Juan não contava é que um senhor, sentado bem próximo a ele, fosse passar-lhe o sabão que passou. "Meu filho, nunca mais faça isso, viu? Não me obrigue a ligar para a empresa e dizer que você não pára em ponto para velhos, mas se joga para pegar jovens mulheres nas esquinas" Confesso que tive vontade de aplaudir. Aliás, naquela época não aplaudiria, mas hoje, levantaria e com palmas gritaria "bravo!", "bravo!" Filas são outro mistério para mim. Ao que parece, na teoria, é das coisas mais elementares que existe. Se cheguei ao local às 9h40, quem chegar cinco minutos depois, ficará atras de mim, oquei!? Maisoumenos, né?! Pois, obviamente, se ele conhecer alguém que chegou às 9h30, tá tudo resolvido. Para ele, para o cara de pau do amigo dele. Para mim também, que fico com cara de trouxa ou parto para a ignorância. No meu caso, depende apenas do dia. E, de fila em fila, de ônibus em ônibus, São Paulo cobra um alto preço de seus habitantes, que, por sua vez, contribuem para que a vida de seus iguais seja infernal.
escrevi e saí correndo:
Fábio Inverídico | 2 comentários
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