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Meet me in the morning
Meet me in the morning
Quarta, 20 de Junho de 2007
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
Hoje era um dia pra falar de encontros. Na verdade, ver alguém de longe não necessariamente significa encontrar esta pessoa. Significa apenas vê-la. E nem era tão longe assim. Não quis encontrá-la porque ela não queria ser encontrada. Queria ficar ali, navegando nos meus sonhos, abrindo a cortina para me ver, brincando de pegar a mão e sair correndo pra se esconder. Queria estar naquela mesa, com aquelas outras pessoas, a poucos metros de distância. Queria sentar no banco e falar, falar, falar. Eu não ouvia nada, estava longe demais. Era muito quente, aquela noite. Mas ventava, porque as criaturas oníricas continuavam a navegar, e eu saí para não ver.
Esfreguei os olhos e me belisquei, como se faz depois de um pesadelo, para acordar. Ou depois de um sonho bom, para ter certeza infeliz de que ele não invadiu a realidade. Vejo umas pintas azuis na minha pele. Desde que li Raul da Ferrugem Azul na escola, falo tudo o que sinto. Não sei esconder, por medo de me enferrujar (ou por puro condiconamento). Na verdade devo usar isso como desculpa esfarrapada pra este meu medo de me arrepender do que não tentei. E esta foi uma das poucas vezes em que não ergui um dedo. Não fiz nada e não aconteceu nada. Nada mudou. E nada ficou igual em mim também, porque depois disso foi impossível dormir esta noite. Haverá outra noite, talvez nunca mais um encontro.
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