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Mas a culpa não era do ROCK?Segunda, 14 de Maio de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Devo estar ficando velho, nada mais natural, aliás. Mas tem uma coisa que parece não mudar.Vejamos, o primeiro show que assisti na minha vida foi a histórica apresentação do Sepultura na praça Charles Miller, em 1991. Na época, a banda estava prestes a lançar o disco "Arise" e vinha a ser o grupo brasileiro mais respeitado na cena musical internacional. Algo como um Mutantes do metal, sei lá. Lembro-me que noticiaram 30 mil pessoas naquele show. Como estas contagens de público são sempre discutíveis, fico com a imagem da minha memória: um enorme espaço lotado e mais uma galera descendo por todos os lados dos morros que cercam a praça à frente do estádio do Pacaembu. Para quem não se recorda, o show que era para ser histórico terminou com uma nota triste. Durante a apresentação alguém foi morto numa briga, vítima de uma machadinha ou de um tiro, dependendo da versão em questão. Claro que não me lembro a quem foi atribuída a culpa do evento trágico daquela ocasião, mas não me surpreenderia se o ROCK fosse o eleito de muita gente. Afinal, não seria nem a primeira nem a última vez que, convenientemente, a culpa recaísse em algo abstrato. Em "Tiros em Columbine", do parcial Michael Moore, uma das explicações levantadas para os surtos de violência armada que vez por outra explodem nos EUA era a nefasta influência do bizarro Marilyn Manson na garotada. Há outros vilões também como os videogames, os filmes violentos, o etc e o tal. Bom, toda esta digressão para chegar ao show dos Racionais MCs, na Praça da Sé, em São Paulo, na madrugada do último dia 6. Assim, como em 1991, o evento era aberto e gratuito. Não sei, mas quando entro em um jogo de futebol ou num show em qualquer estádio ou casa de espetáculo, a revista que ocorre na entrada parece ter algum fundamento. No entanto, chegando na Praça da Sé, às 23h30, para ver o Nação Zumbi, que se apresentaria à 0h, percebi que pelo número de garrafas no chão, quem não tivesse vindo armado, poderia escolher o que quisesse apenas abaixando. O que se seguiu, já foi noticiado milhões de vezes. Marcado para às 3h, o show só teve início às 4h40. Ao público não foi dada nenhuma explicação para o atraso. Alguns mais exaltados improvisaram um camarote em cima de uma banca de jornal pela quarta vez, pois o local já tinha servido a este propósito no próprio show do Nação e os "alpinistas" já tinha sido retirados pela polícia outras duas vezes antes da apresentação de rap. Detalhe, ao menos naquela esquina, na Praça da Sé com a Rua Benjamim Constant, que viria a ser o epicentro da confusão, não havia policiamento. Tanto que subir na banca para enxergar melhor era um passatempo concorrido naquela ocasião. Após todo o ocorrido, onde, por muita sorte, não houve nada pior, descobri que agora há um novo vilão nesta história: o RAP, que assim como o Rock e outros elementos abstratos, foi o eleito da vez... Sim foi ele, que ao que parece fez com uma pequena parcela do público ficasse ensandecida e se voltasse contra a polícia. Explicação simplista para um problema "um pouquinho" mais complexo.
escrevi e saí correndo:
Fábio Inverídico | 2 comentários
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