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Mais uma de amorQuarta, 16 de Janeiro de 2008* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor A história do Luís e da Rocío poderia ser diferente.Eles poderiam sonhar que o casamento, no final deste ano, fosse comemorado com comes e bebes, numa festa pequena unindo as famílias. Poderiam se encantar com toalhas e lençóis novos, pratos e copos, um sofá mais confortável e alguns enfeites para mudar um pouco a cara da casa nova, se houvesse uma. Seria normal eles quererem ter filhos depois de algum tempo, um ou dois anos. Colocá-los numa escola, educá-los, ensiná-los um pouco sobre a vida e esperar que se tornassem adultos saudáveis e auto-suficientes, com um bom emprego e um futuro promissor. Luís poderia querer trabalhar com a terra, como dita sua formação de geólogo. Rocío poderia querer ser médica, se não precisasse garantir a comida todo mês. É que lá em Cuba tudo é meio diferente, mesmo. Quase ninguém trabalha no que quer. Ninguém ganha o que merece. Não se escolhe uma carreira por paixão, mas por imposição do governo ou da necessidade de sobrevivência. Casais jovens já não pensam em ter filhos porque não vêem perspectiva. Não há justiça em colocar crianças num mundo tão pequeno e limitado, bem na era da Internet. Não há lojas com vitrines bonitas. Recém-casados vão morar com pais e sogros, não compram nem pedem coisas novas. A convivência com o velho é tristemente natural e cotidiana. Pior ao saber que a casa nem é sua, mas do governo. E no casamento de Luís e Rocío não haverá comes e bebes. Vão assinar um livro diante da família, e voltar para casa, o que me fez pensar que a história deles poderia ser diferente. Mas se eu pensar de novo, diria que outras histórias poderiam ser como a deles. Conto nos dedos de uma mão quantos casais eu vi se entreolhando de maneira tão apaixonada, e compartilhando um fragmento de sonho de maneira tão intensa e bonita. Encontrar o amor, um sentimento que deve ser essencialmente livre, em meio a uma prisão social e ideológica é um dom. Um brinde a Luís e Rocío, que sejam felizes!
devaneio de:
Sil Curiati | 2! E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!
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