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Mais do mesmo

Quarta, 23 de Janeiro de 2008

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Sentado em uma mesa de bar na semana passada, curtindo a rodada de estréia do Campeonato Paulista, um bando de rapazes com seus 30, 30 e poucos anos discutiam sobre futebol. Em meio a fanatismos como “o Perdigão é craque”, “o Alex Mineiro e o Finazzi comem o Adriano com farinha” e “hoje vai ter balada forte em Guaratinguetá”, surgiram alguns comentários interessantes.

O que mais me chamou a atenção foi uma frase despretensiosa, que quase passou despercebida no meio daquela confusão. Foi do canto da mesa que um dos rapazes disse baixinho: “é, parece que o futebol brasileiro finalmente voltou ao normal. O São Paulo continua forte, o Palmeiras passou a ser temido, o Corinthians é ruim, mas cheio de raça, e o Santos voltou para a merda”.

Eu, que me embrenhei no mundo da bola nas décadas de 80 e 90 (nasci em 78) e só vi o Pelé em vídeo, não pude deixar de concordar com o rapaz. E depois que a segunda rodada do Paulistão passou, tudo ficou ainda mais evidente. Prova disso é que a Portuguesa ganhou de um time grande e perdeu de um pequeno. É a velha Lusa de volta.

E o que falar então dos times cariocas ficando mais fortes? O Flamengo montando um grande elenco, o Fluminense cheio de grana e o Vasco sonhando com Romário, Edmundo e Juninho Pernambucano. O Botafogo...bom, o Botafogo é sempre o Botafogo. Parece que vai, mas...

Como há muito não se via, gaúchos e mineiros também passaram a pensar grande. Grêmio, Cruzeiro e Atlético estão bem aquém do Inter, mas devem fazer das finais dos estaduais verdadeiros clássicos. Algo que, nas décadas de 80 e 90, era mais do que previsível, mas que nos últimos anos vinha mudando. Muitos times do interior desses Estados chegaram às últimas finais, o que (me perdoem, mas é verdade) fez com que eles perdessem a graça.

Tudo isso parece muito interessante. O futebol brasileiro precisava de um novo gás. Se os dirigentes não afundarem tudo, novos horizontes virão. Assim espero. Resta saber só o que vai acontecer com Guarani, Juventus, América-MG, Bangu e por aí vai. Ao menos coadjuvantes de respeito eles têm de voltar a ser. Como? Investindo forte na base. Aliás, como sempre foi.

 



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