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Limão

Terça, 10 de Abril de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Na última quinzena, versamos sobre como certas quebras de paradigma podem custar caro, como o abandono da plaquinha de H para Homem e M para Mulher, ou a singela cartola para o homem versus salto alto para a mulher entre outras metáforas ao menos tão óbvias quanto ("Morfínico Toalético Semiótico"). Seguindo nesta linha, outro paradigma que desejo defender até a morte - ou ao menos até alguém pagar mais que o Morfina para eu escrever, ou seja, pagar alguma coisa de fato - é a odorização tradicional do urinol. Trocando em miúdos, o LIMÃO.

Sim, leitores, tem algo mais eficaz, ecológico, brasileiro, botequeiro que aquelas rodelas de limão com gelo num urinol de aço inoxidável? - aliás, falou então que é "inoxidável", truco neles! Já vi muita coisa por aí, desde aqueles donuts de desinfetante com cor de giz de cera ruim, passando por plásticos cheirosos com o telefone do fabricante até a última moda, que só se vê em botecos muito elegantes, chamados por seus frequentadores de pubs, que vendem cerveja Guiness a preço de uísque bom. Estes buticos (mistura de boteco com butique) possuem um equipamento sensacional que consiste em um recipiente fechado com um tubinho, tipo duma torneira sem maçaneta, que despeja automaticamente gotinhas contadas de cheirinho no urinol. Digo, nestes lugares, o urinol deve ter um nome mais chique, tipo "mictório" ou algo que o valha, mas, enfim, soltam gotas no penicão pra acabar com o mau cheiro, que, este sim, não faz distinção de classe social: mijou, fedeu.

O que estes butiqueiros têm contra o bom e velho limão com gelo? Amigo meu bebeu tanta pinga um dia que decidiu que o mijo dele seria pinga pura. Concluindo: mijou no copo e ofereceu ao melhor amigo. Oras, se já tem o limão e o gelo, por que não reciclar a caipirinha? Seguramente pegaria bem até com a mulherada, que anda tão preocupada com esta história de aquecimento global e desenvolvimento sustentável. Quem sabe até a Coca-cola e a Pepsi não inauguram mais um produto para concorrer, a Refurbished Coke, talvez até with a taste of lemon. Quem sabe a moda pega? Acho, sinceramente, que o próximo grande passo após a invenção do refrigerante light é de envasar a rodela de limão - o que não impede de pedir outra rodela de limão em países como o Brasil, que ainda tem frutas de verdade - é a Coca sustentável. Um verdadeiro hit.

É isso aí. Mais um capítulo de economia contemporânea neo-liberal global, diretamente do toalete para este magazine.    

O Aloísio que não é do campo é o Aloísio da Cidade | 13 leitores já mijaram neste póst