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Lawrence da Arábia (1962)Quinta, 12 de Julho de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Não houvesse Sir David Lean viajado a esses lugares distantes e apontado pacientemente sua câmera para o horizonte, jamais teria eu visto as tempestades de areia e os pores-do-sol no deserto. Talvez apenas conhecesse essas toscas imagens fabricadas pelo computador que me empurram hoje. Foi há tanto tempo... Nos anos sessenta a luz da imagem queimou a película. O filme então foi revelado. Com os anos, as imagens em movimento migraram para outros formatos: VHS, DVD, não sei bem como isso funciona. Então alguém transformou a obra em material digital. 45 anos depois, busco esse arquivo e vejo as imagens pela primeira vez. Muito tempo passou. O Peter O’Toole está velho, David Lean já morreu, os árabes são os maiores inimigos dos ingleses. Mas um filme – ao menos um como esse – não sente os efeitos do tempo. O que é grandioso não perde a sua beleza, mesmo depois de conversões, modificações e transferências. Assim eu vejo. Depois que tudo acaba, tenho com inveja do Lawrence, que inventou ser árabe. Fico com vontade de inventar algo, de viver no passado, quando as pessoas não estavam interessadas apenas em luzinhas piscando (já houve um tempo assim?). Desejo a morte da internet, dos PDAs, dos celulares, dos notebooks, iPods, iPhones, MP3s e MP4s. Quero um mundo menos degradado, menos bobo. Fico tentado a sair gritando “Acordem! Acordem!” pelas ruas. Mas percebo que eu mesmo durmo. Ou que – também do mesmo modo que o Lawrence – eu talvez seja um pouco louco. Então aquela vontade enorme de não me envolver em nada, de ser uma pessoa como todas as outras (com um trabalhinho, conectado ao virtual e dependente de aparelhos estúpidos) toma conta de mim novamente. Lawrence era um indivíduo extraordinário que queria ser normal. Eu sou o contrário, mas só às vezes. Todo mundo sabe que é inerente ao ser humano nunca estar satisfeito. Por hora fico aqui, sentado, produzindo, envelhecendo e sonhando com o amanhecer no deserto.
inventado por:
Robinson Melgar | Um quis ser meu amigo
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