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La Jetee (1962)Quinta, 8 de Fevereiro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Uma imagem do passado, um rosto de menina. Era um mundo cínico, destruído, moribundo, se aquecendo a cada dia. Chegava o momento em que tudo ficaria podre, derretido e morreria. Mas essa recordação dava a ele a possibilidade de reviver a época em que as coisas eram simples e puras. Aquela face aparecia quando fechava os olhos. Ele queria estar lá novamente, sentado na escada do portão daquela casa cheia de mato. Jovens, os dois. Naquele tempo tinha vontade de abraçá-la e beijá-la, mas não sabia como fazer isso. Então corriam um atrás do outro nas brincadeiras. Ela morreu nova. Parecia que no momento em que a garota se foi o mundo começou a ficar doente, a tossir sangue e sentir tonturas. Ele envelhecia, ainda sem sangramentos ou vertigens, mas já se deteriorava. Procurava uma resposta. Não acreditava que era apenas isso, que ele e seu pequeno e amado planetinha fossem destinados a se tranformar primeiro em montes de carne apodrecida e depois em uma rocha morta. Fez viagens. Primeiro pelo mundo, depois para dentro de sua própria mente. Não importa se foi o peiote, a pinga, o yoga, os rituais, os cogumelos ou a meditação transcedental. O que importa é que ele encontrou uma fresta no tempo, caminho para o futuro. Ao chegar, Eles o estavam esperando. Sabiam que ele era um vistante do passado, já haviam visto outros. Explicaram que o mundo foi salvo, que tudo havia dado certo. A humanindade, inacreditavelmente, encontrara seu caminho. Disseram que ele poderia viver junto a eles, naquele maravilhoso mundo renovado. Não aceitou. Queria usar o que aprendeu para retornar ao passado. Não àquele passado que era, na verdade, seu presente. Queria ver novamente aquele rosto. Ela morreu nova. Ele estaria lá no momento de sua morte. Já havia entendido tudo e estava cansado. Morreriam juntos. Então começou a viagem de volta.
inventado por:
Robinson Melgar | Um quis ser meu amigo
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