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Jonas Casto

Quarta, 10 de Janeiro de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Segunda-feira.

Início da semana.

Aqui começa a história de Jonas, o novo estagiário. Era tradição na firma: todo estagiário novo tinha que passar por um trote que envolvesse sofrimento, humilhação e constrangimento, não necessariamente nessa ordem.

- Qual vamos usar no Jonas?

- Que tal a de enxugar o gelo?

- Não, vamos mandar ele entregar um envelope no heliponto do prédio.

- Ele já pediu crachá?

- Acho que não...

Com a resposta, todos se entreolharam com o mesmo pensamento maligno. Jonas seria alvo do velho golpe do falso telefonema do departamento de confecção de crachás. Todos a postos foi Marcelo, que tinha notável habilidade em contar lorotas ao telefone e ainda assim manter-se sério, o escolhido para fazer a ligação.

Triiiiim.

- Jonas.

- Boa tarde. É o senhor Jonas Casto que está falando?

- Sim, ele mesmo.

- Aqui é Claudinei do departamento de confecção de crachás. Pode me confirmar seu número de matrícula?

- Ah, pois não. É 100011123658-56.

tec tec tec tec (Marcelo finge barulho de digitação na linha)

- Me confirme por favor o departamento.

- Coordenadoria de informações comerciais e eventos.

tec tec tec tec (novamente barulho de digitação)

- Ótimo, já temos quase tudo. Falta apenas a foto. Você tirou uma foto no RH?

- Não.

- Bom, tudo bem. Podemos resolver. Está vendo essas câmeras de segurança presas no teto e espalhadas por todo o andar?

- Essas dentro de círculos de vidro pretos?

- Sim, essas. Escolha uma e fique embaixo dela. Passe o telefone para algum colega ao lado que possa lhe passar as instruções que darei ao telefone.

O pobre Jonas passa o telefone para Alberto e segue em direção a uma das câmeras localizada estratégicamente no meio do andar, onde todos poderão ter uma visão de camarote do espetáculo que está por vir.

- Ele tá falando pra você chegar mais perto porquê ele não te achou ainda! (grita Alberto para todo o andar ouvir).

- Ele pediu para você dar um tchauzinho pra ele te achar!

- OK, ele te achou, chega mais perto da câmera!

- Ele pediu para você dar um sorriso e não piscar!

Nessa altura alguns funcionários menos contidos rolavam no chão no lado oposto do andar enquanto outros tentavam manter a respiração com a gargalhada que soltavam. Ninguém parecia acreditar na patética cena do jovem empregado parado em pé, olhando para cima e sorrindo no meio do andar. Depois do papelão prestado, Jonas retorna à sua mesa e pega o telefone, ainda meio sem graça. Marcelo não se faz de rogado e finaliza a seção:

- O pessoal ficou dando risada aí perto, né?

- É, fiquei até com um pouco de vergonha - responde o pobre Casto.

- Não liga não. Todo mundo já passou por isso aqui. Pode vir buscar o crachá agora mesmo.

- Ótimo, Onde é?

- Faz o seguinte, pega o elevador até o último andar e suba até o heliponto. Chegando lá vai ter um segurança que não vai querer deixar você subir. Explica pra ele que você...

    

Mais um trabalho do funcionário-padrão Villas Verissimo | 7 coçaram o saco aqui.