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Jealousy
Jealousy
Quarta, 24 de Outubro de 2007
* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor
Foi um crime passional, o que faz tudo parecer justificável e compreensível. Neste caso, como em todos, também houve quem ficasse do lado do assassino.
Cansado, resolveu terminar a noite de domingo um pouco mais cedo que de costume. Também movido pelo cansaço, não foi à estação de metrô: optou por um táxi que cruzava a rua no momento em que desceu as escadas do apartamento da namorada. Haviam rodado umas 5 quadras, quando deu-se conta de que tinha esquecido as chaves de casa na mesinha de cabeceira. Bufando, pediu ao motorista que desse meia-volta, uns 6 minutos depois de sua saída.
Aproximando-se do prédio, ele notou um movimento diferente e pediu que o táxi parasse para que observassem à distância – ela naturalmente pensou que o namorado já estaria no metrô, não desconfiaria de um táxi na esquina. Estava encostada nas escadas, bolsa em punho e maquiada. Um rapaz estacionou o carro e desceu para recebê-la. Se abraçaram. Ela tocou no tórax dele e rindo, fez uma brincadeira qualquer. Ele a segurou mais forte pela cintura, puxando de leve seu vestido para cima, enquanto a beijava no pescoço. Entraram no carro.
“Só um beijo”, pensou já sem enxergar direito, “só um beijo”.
- O senhor quer ficar parado aqui ou continuamos? – foi a pergunta do motorista antes de ser jogado para fora do próprio carro.
Acelerou como nunca e enfiou o táxi na porta do carro do infeliz. Nunca deu acordo disso. Não sabe se aconteceu algo realmente, e por isso teria agido assim. Ou se foi ilusão, se imaginou coisas, se confundiu. O sono era tanto...
Inspirado em Mr Brightside, The Killers, som que tenho ouvido muito.
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