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Invasão de Privacidade

Segunda, 8 de Outubro de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

A porta de casa abriu e entrou um jovem casal, assustando os moradores da casa.

- Oi, esse aqui é o Cavanha, meu namorado. – apresentou a jovem.
- Que namorado, o quê! Isso aí é um assassino. – interrompeu o senhor.
- Assassino nada, ele é uma vítima da sociedade.
- Vítima da sociedade um escambau, ele matou três monges budistas em plena luz do dia, à sangue frio.
- Eles tavam querendo vender incenso a preços extorsivos, você queria o quê? Que ele desse flores pra esses vagabundos? Matou e matou bem! - Gritou por último a menina.
- Eu não acredito que você falou isso?! Eu te criei na doutrina hippie-pacifista, eu, eu, eu te coloquei pra ouvir Janis Joplin, eu te embalei num berço feito de cannabis, eu pus um pôster do Che Guevara no seu quarto. Onde foi que eu errei? Onde, me diz? Onde? – o pai se lamentava choramingando, se espremendo para não chorar em cima da bata comprada em Trindade.
- Pai, desculpa, mas o Cavanha é legal. A gente tá planejando o casamento na prisão, vai ser lindo, pai! Vai ter show da Rita Cadilac e até uma palhinha da Simony. Não é legal?
- Eu não vou nesse casamento por nada! Eu me recuso, onde já se viu? Filha minha casando na prisão... Nem pensar. É o maior desgosto da minha vida! Vou te deserdar, nunca mais quero ouvir seu nome...
- Mas pai, ele me deu uma calça da Diesel, quer prova de amor maior que essa?
- Não quero ouvir, me deixa em paz – O pai se desespera e começa a ficar muito vermelho, quando olha para o lado, ainda em fúria, e avista uma figura conhecida entrando pela janela. Era uma espécie de Roberto Leal, um rosto que não lhe era estranho. Simultaneamente, agentes da Polícia Federal entram de assalto pela porta e algemam o Cavanha, desviando sua atenção. Nesse momento a figura da janela entra na casa com um papel numa mão e um microfone na outra. Ele sabia quem era. Aliás, ele tinha certeza: era o Gugu, o Gugu Liberato em pessoa. O homem sentia-se salvo. Agora podia sorrir, tinha sido vítima de um Telegrama Legal.

O único problema é que os agentes da PF encontraram maconha espalhada por toda parte da casa, e foi assim que Nestor foi parar na mesma cela que o Cavanha. Agora, os dois planejavam um ataque contra atores de teatro amador que vendiam Sonho de Valsa por R$ 4,00 dentro do ônibus. Nada como uma boa prisão para um homem refletir.



a gerência agradece, Ricardo Dolla | Um comentário