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InspiraçãoSegunda, 11 de Junho de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Segunda-feira de novo. Preciso postar meu texto do Morfs, mas não consigo pensar em nada e já são quase cinco da tarde. Assim, o Bucha vai querer me matar com razão. A culpa é deste tema maldito que eu mesmo escolhi: São Paulo. Onde devia estar com a cabeça? Olhe o PC, que fala de futebol, ou o Binson, que trata de cinema...Por que não pensei em alguma coisa assim? São Paulo!? Nada tem me inspirado menos do que São Paulo. E a porra deste bloqueio criativo não passa. A questão é que as idéias surgem, mas penso em como encaixá-las na porra da cidade e a coisa toda não flui. Vejo os textos dos outros colunistas e ninguém parece ter este tipo de problema. Caralha. Lembro que quando nos passaram os temas, disseram que nós mesmos poderíamos mudá-los. Mas aí é sacanagem, né!? Mudar de tema eu não mudo. Sei que tenho como escrever sobre alguma coisa relacionada a esta terra de doido aqui. Preciso inventar algo. Poderia ser uma história em que seres pequeninos, do tamanho de coelhos irreais, chegam para destruir a metrópole. Começam a surgir aos poucos, de todos os cantos da cidade. Na fonte de merda colorida do lago do Ibirapuera, atacando os cães das madames dos Jardins, proliferando por todos os cantos das periferias, perseguindo os mendigos no Centro e multiplicando-se com enorme velocidade. Em pouco tempo, eles já são uma praga e ameaçam a vida da população paulistana. Enquanto escrevo, sinto um felpudo roçar no meu pé por debaixo da mesa. Não demora e sinto uma mordida. (Aiiiiiii!) Olho para baixo e vejo um buraco no meu tênis, de onde escorre um sangue grosso. O ferimento deve ser profundo, o que explicaria a forte dor. Só deu tempo de ver algo branco saltitando e deixando um rastro de sangue (meu sangue) para trás. Pego um grampeador e jogo, sem pestanejar. Sempre fui bom de mira. Acerto bem na cabeça do bicho, que num guincho e rodopio malucos, estrebucha e morre. Mal dá tempo de comemorar minha pequena vitória pessoal. Ouço a vingança chegar na forma de milhares de pequenas criaturas similares a que morreu. Na medida que avançam velozmente, percebo que não tenho grampeadores suficientes para todos. "Aliás, vai faltar artigo de papelaria para dar conta disso aí", penso, meio rindo, quando sinto as primeiras das milhares de mordidas que me despedeçarão por inteiro.
escrevi e saí correndo:
Fábio Inverídico | Um comentário
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