Blogs do Morfina
Menu Lateral
Perticipe do Morfina Sobre o Site Fala com a gente Acesso o arquivo Participe do Morfina
Home > > Insólito

Insólito

Sábado, 23 de Junho de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

para Chuck Palaniuk e Taylor Durder

“Li em um livro” e a frase que nunca pensei que começaria uma história, seja ela qual fosse. Tanto é assim que não vou começar com esta merda de frase. Na verdade o que eu quero contar a vocês é sobre uma ligação de um velho amigo. Ele me ligou dias atrás para dizer que achou o livro definitivo e a conversa foi se seguindo, com apenas ele falando para a secretária eletrônica já que eram cinco e meia da manhã de uma quarta e eu estava dormindo. Mas transcrevo:

Realmente li em um livro uma das melhores, mais engraçadas e mais sarcásticas histórias que foram oportunizada à humanidade conhecer.

Tá, vá lá! Não é uma história tão boa assim mas tem bons momentos. Quando, por exemplo, o protagonista, após desembargar todos os passageiros de um 747, manda o pilo subir até a altitude de cruzeiro normal e lhe obriga a pular (com pára-quedas, é claro!) para então ir até a beirada da porta e lhe mijar em cima e ainda comentar: ‘se Newton estiver realmente certo, o piloto não vai ter problemas’.

Outra boa passagem é quando ele conta que seu número de telefone foi equivocadamente informado em um anúncio destes lugares que se presta a auxiliar pessoas com problemas emocionais (estilo CVV), e começaram a ligar para ele pedindo ajuda, dizendo que estavam prestes a cometer suicídio. E ele começou a atender sem desmentir o engano. Até que a pessoa que ligava se desse conta de que se o serviço fosse mesmo de ‘preservação da vida” não ficaria lhe instigando o suicídio como o interlocutor o fazia. “O melhor era ouvir o estampido seco do disparo o barulho da queda do fone no chão antecipando o silêncio’, declara o protagonista.

Logo o movimento foi diminuindo mas, como ele já estava acostumado e viciado nas ligações, decidiu espalhar grandes adesivos com seu número e a frase ‘se você está com problemas, ligue para mim, permita-me ajudar-lhe’, em cabines de telefonia pública por toda a cidade. Pensei em fazer o mesmo e dar o seu telefone, já que sempre ligo pra você quando estou com problemas...

Merece nota, também, o momento em que o narrador conta da vez que uma garota lhe ligou enquanto ele tentava passar farinha de rosca em uma costeleta. ‘Uma mão no fone e outra tentando grudar a farinha na costeleta besuntada com ovo’. Só quando a menina se matou é que ele percebeu que a ‘costeleta parecia ter sido tirada da caixa do gato’.

Uma das melhores frases do livro é quando ele declara que o faz é o inverso de um crime sem vítima.

O livro realmente parece bom, ao menos no começo é, já que li apenas as suas 34 páginas iniciais. Tenho cá meus temores de continuar lendo o livro, pois há uma certa regra: quando algo começa muito bom, tende a piorar. Veremos.

A sim, você deve estar se perguntando sobre o título do livro, bem, o título do livro é tu-tu-tu...
”.

Sim, o desgraçado desligou, antes de falar o livro. Faz cinco dias que ele não atende minhas ligações. Não sei porque, mas acho que é questão de tempo até o meu telefone começar a tocar...



Introduzido (ui!) por fezon, o que virá | Comente e ganhe prêmios!