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Inifinitas PossibilidadesSexta, 21 de Setembro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Naquele domingo, ele apareceu com uma caixa de bombons.Tudo bem, eu queria mesmo alguma coisa doce. Eu pedi. No pote em cima da pia, na cozinha, não havia mais torrões de açúcar. Ele ligou na hora certa. Pra ser sincera, eu prefiro as barras de chocolate. São mais definidas e robustas. Homogêneas. De repente, vêm acopladas com algumas iguarias. Realçam o sabor. E num piscar, na glicose, todos os problemas resolvidos. A variedade de uma caixa de bombons não me excita. Precisa de esperteza para comer. Se você não for o primeiro a abrir, já era. Você fica com os piores. Os modificados e empoeirados que sempre estão nas gôndolas. Por isso, prefiro as barras. Tudo aquilo, cremoso, pronto. O sofá, ele, a maldita caixa de bombons e eu. O que fazer com tudo aquilo? Já não tinha os melhores. Eu só queria anestesiar a vontade. As escolhas quase certeiras. Sempre na paranóia, tantas possibilidades. Me poupe dos segredos sórdidos. Não quero ouvir a melodia que anuncia o fim do domingo. Ele deu as costas, pegou as chaves. Balbuciou meias palavras. Titubeou um abraço e desceu no elevador com vontade de dizer mais. Não me importei, voltei para maldita caixa de bombons. Pelo menos eram chocolates.
em prosa e verso por
Mariana Menezes | Um comentário
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