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IndependênciaQuarta, 5 de Dezembro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor "What’s the point of being a super woman?", escreveu em seu diário depois do fenomenal pé na bunda que levou do namorado. "Você não precisa de mim", ele teria dito.Não estava profundamente triste, nem inconformada. Era do tipo que tocava a vida, velocidade era com ela mesma. Escrevia estas coisas em inglês porque achava que determinados sentimentos eram melhor expressos em língua estrangeira. Sensação de tempo perdido, de déficit, de falta de retorno no investimento eram claramente melhor expressas em inglês, pela sua íntima ligação com o capitalismo. E um relacionamento macho-fêmea nada mais era que um acordo hipócrita e capitalista. Hipócritas! Raiva, muita raiva por ter se dedicado tanto. Homem gosta mesmo é de mulherzinha, destas que choram, fazem doce, jogam charme, são dengosas. Destas que precisam de ajuda pra abrir potes, que não carregam nem caixa de sapato sozinhas. Homem quer que a mulher tenha ciúmes e exija a sua presença ao lado, quer sentir-se o macho provedor. Que adiantou estudar tanto, virar mulher inteligente? Quem, quem enfiou em sua cabeça que homem gosta de mulher independente, profissional de sucesso? Por que você gosta de futebol, sua tonta? Devia ter feito corte e costura, pintura em cerâmica, biblioteconomia, curso de culinária da Arno. Devia ter lido mais José de Alencar, se inspirado na Viuvinha. Quem mandou querer ser mártir? Virou uma espanta-homens. De agora em diante, faria diferente. Nada de namoro. Só alegria. Sair, beber, rir, jantar junto, viajar. Fazer tudo o que queria, mas sem rótulos nem cobranças. Já que era mulher com H maiúsculo, seria independente com um grito maior, às vésperas do 7 de setembro.
devaneio de:
Sil Curiati | Querendo agradar
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